Na quarta-feira (25), militantes do Hesbolá afirmaram ter destruído 21 tanques de guerra Merkava nas regiões sul do Líbano e norte dos territórios palestinos ocupados, num período de 24 horas. As destruições sistemáticas passaram a ser descritas como “Massacre dos Merkavas”.
Já na manhã de quinta-feira (26), a milícia xiita relatou ter alvejado outros 20 tanques Merkava. No total, são 73 tanques de guerra fora de combate desde o dia 2 de março. Há informações de que mais tanques foram atingidos por mísseis nesse mesmo dia e que o número chegou na marca de cem.
As informações divulgadas apontam que os tanques foram atingidos em múltiplas localidades, o que evidencia a eficiência, organização e notável capacidade de combate da resistência libanesa. Em Debel, três tanques foram atingidos com mísseis de precisão. Outros Merkavas foram alvejados em Al-Qantara, perto de uma escola técnica, uma escola vocacional e um reservatório de água. Três Merkavas adicionais foram destruídos por drones de ataque.
Cerca de uma dúzia de Merkavas foram atingidos por ataques do Hezbollah com mísseis de precisão na cidade de Taybeh. Já em Deir Siruan, outros quatro foram alvejados perto de um lago e mais um na estrada Taybeh-Al-Qantara.
Um vídeo mostra um Merkava explodindo com sua munição interna após ter sido alvejado pelo Hesbolá em Khiam, no sul do Líbano. O termo “Massacre dos Merkavas” surgiu durante a invasão israelense do Líbano em 2006. Na ocasião, um pequeno esquadrão do Hezbollah, composto por três homens, destruiu pelo menos 25 Merkavas e eliminou 34 soldados israelenses. Em seguida, as forças israelenses recuaram da área dos combates.
A invasão israelense de 2006 terminou em fracasso diante da dura resistência do Hesbolá. A intenção era reeditar a invasão e o cerco de Beirute de 1982, durante a Operação “Paz na Galileia”. À época, Israel invadiu o Líbano, implementou um cerco e bloqueio de entrada de gêneros básicos na capital e forçou a entrega das armas e o exílio dos quadros da OLP. Na sequência da retirada da OLP, aproveitou a situação para realizar limpeza étnica e massacres nos redutos palestinos, como os de Sabra e Chatila.
É digno de nota que os mísseis de precisão utilizados pela milícia xiita para alvejar os Merkavas custam milhares de dólares. No entanto, os tanques de guerra de última geração de Israel custam cerca de 6 milhões de dólares cada unidade e levam dois anos para serem produzidos. As destruições impostas pelo Hesbolá acarretam custos altíssimos para o Estado israelense, que também é alvo de mísseis balísticos lançados pelo Irã contra alvos militares em Telavive. As operações de emboscada realizadas pela resistência armada palestina, liderada pelo Hamas em Gaza, também impõem severas perdas às forças armadas israelenses.
O Hesbolá realizou 87 operações de combate na quarta-feira (25) contra militares israelenses nos territórios ocupados, utilizando mísseis e drones. Recentemente, autoridades israelenses declararam que pretendem levar adiante uma ofensiva terrestre para ocupar o sul do Líbano e redesenhar as fronteiras, estendendo-as até o rio Litani.
O primeiro-ministro Benjamin Netaniahu declarou que o objetivo da ocupação do sul do Líbano é o estabelecimento de uma zona-tampão que impeça os ataques e atividades da milícia xiita. Os ataques aéreos israelenses já forçaram o deslocamento de 800 mil libaneses em direção às áreas central e norte. Notícias da imprensa árabe relatam os bombardeios diários contra o sul do Líbano e os subúrbios da capital.
A resistência libanesa retomou suas atividades um ano após a assinatura do acordo de cessar-fogo com Israel. Nesse período, os israelenses violaram os termos do acordo mais de 15 mil vezes e assassinaram milhares de cidadãos libaneses. A milícia xiita destacou o fim da paciência estratégica e que não era mais possível esperar que o governo libanês buscasse uma saída político-diplomática.
As operações do Hesbolá desmontam a narrativa da imprensa imperialista que afirmava que o grupo estava enfraquecido e isolado da população. De fato, o assassinato de lideranças no episódio da explosão dos pagers e a morte de Hassan Nasrallah enfraqueceram a milícia por um determinado período. No entanto, durante o cessar-fogo, apesar dos ataques cotidianos, o grupo aproveitou para se reestruturar militarmente e reparar os danos. Pelo que se observa, emergiu ainda mais forte e experiente.
A defesa do território libanês fica a cargo do Hesbolá, que possui um arsenal de mísseis e drones enviados pelo Irã, além de 100 mil integrantes, tropas experientes e treinadas para o combate terrestre. O Exército libanês não desempenha papel relevante devido à sua inferioridade militar diante das forças de ocupação. Os Estados Unidos mantêm um embargo à compra de armas estratégicas pelas Forças Armadas do Líbano, tornando-as permanentemente inaptas para a defesa territorial. Esse é o motivo da ausência de notícias sobre operações de defesa realizadas pelo Exército.




