Sistematicamente, este Diário vem denunciando a política dos banqueiros de reestruturação das dependências e agências bancárias, política essa que só tem um objetivo: aumentar seus lucros às custas da miséria dos trabalhadores.
Desta vez, essa mesma política atinge, mais uma vez, um banco público.
O Banco da Amazônia (Basa), valendo-se dessas reestruturações, divulgou a decisão de extinguir a função de supervisor em todo o quadro do banco, cujo prazo para execução está marcado para o próximo dia 31 de março.
Depois de extinguir o Quadro de Funcionários de Apoio, cuja consequência foi demitir cerca de 150 pais de família; de atacar o plano de saúde de seus trabalhadores; e de promover a demissão dos funcionários mais antigos por meio dos famigerados PDVs (Planos de Demissão “Voluntária”), agora foi a vez dos funcionários com função de supervisor.
Segundo informa a entidade representante dos trabalhadores, o Sindicato dos Bancários do Pará, a medida pegou de surpresa todo o funcionalismo do banco. “A medida, comunicada de forma repentina, gera instabilidade e insegurança para dezenas de trabalhadores que dedicam anos de carreira à instituição. Para a entidade sindical, uma alteração estrutural deste porte não pode ser imposta sem o devido processo de negociação e sem garantias claras sobre o destino funcional e financeiro dos empregados atingidos” (site do Sindicato dos Bancários do Pará, 24/03/2026).
Todas essas medidas impostas pela direção do banco vão no sentido de pavimentar o caminho para a privatização do Banco da Amazônia.
Seu atual presidente, Luiz Cláudio Moreira Lessa — afilhado político do atual presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) — possui um currículo de longa trajetória de atuação na política neoliberal: tem passagens por instituições financeiras em cargos de liderança e atuou em áreas de negócios de varejo bancário, crédito, fusões e aquisições. Atuou ainda como conselheiro de administração em empresas de energia, como Rio Grande Energia, Celpe (ex-estatal de Pernambuco, hoje Neoenergia), Coelba (ex-estatal baiana, hoje Neoenergia) e Neoenergia (subsidiária do grupo espanhol Iberdrola).
Não por acaso, os abutres do sistema financeiro estão de olho nesse gigantesco patrimônio público que, em 2026, atingiu o saldo de R$64,4 bilhões em sua carteira de crédito, enquanto o lucro anual do banco supera a cifra de R$1 bilhão, como ocorreu nos anos de 2024 e 2025, por exemplo. Além disso, o banco fechou o ano de 2025 com patrimônio líquido superior a R$6,7 bilhões.
O Basa é o principal executor das políticas públicas do governo federal para o desenvolvimento da Amazônia Legal. Atua na região como banco de desenvolvimento, responsável por gerir e aplicar os recursos do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte). Oferece crédito com as menores taxas de juros do mercado, voltado para ajudar pequenos agricultores familiares e comunidades que sobrevivem da extração sustentável, como açaí, borracha e castanha. Sua presença se estende a regiões remotas e a cidades amazônicas que não despertam o interesse dos parasitas dos bancos privados. Ou seja, trata-se de um banco de fomento, um patrimônio do povo nortista e de todos os brasileiros.
Neste momento, a categoria bancária já se encontra nos preparativos de sua campanha salarial, cuja data-base é o mês de setembro. Já está marcado o calendário dos congressos estaduais e do congresso nacional, e uma das pautas fundamentais deve ser a organização de uma gigantesca mobilização contra a política de reestruturação nos bancos e a luta em defesa dos bancos públicos. Para os companheiros do Basa, no entanto, é necessário dar uma resposta imediata à política de sua direção, que ataca os direitos dos trabalhadores bancários da instituição. É preciso organizar uma gigantesca mobilização dos trabalhadores, convocar uma assembleia para que haja um amplo debate na base da categoria, no sentido de barrar a ofensiva reacionária dos banqueiros.





