O Conselho de Política Monetária (Copom) decidiu, no último dia 18, reduzir em apenas 0,25% a taxa de juros básicos (Selic), depois de nove meses em que ela ficou estacionada no patamar de 15% ao ano, o maior dos últimos 20 anos.
Com esse índice, o Brasil mantém uma das maiores taxas de juros reais do mundo, ocupando a 2ª posição global, de acordo com o relatório “Ranking Mundial de Juros Reais”, divulgado em 17 de março de 2026 por MoneYou e Lev Intelligence.
Antes da decisão, de acordo com o levantamento, o país registrava uma taxa real de aproximadamente 9,51%, ficando atrás apenas da Turquia (10,38%) e à frente de economias como a Rússia (há quatro anos em guerra) e a Argentina (com a economia devastada), ambas com cerca de 9,41%. A média global entre os países analisados foi de apenas 2,18%, mais de quatro vezes menor do que a do Brasil.
Alegria dos bancos
Seguindo sua rotina de fazer a festa dos banqueiros e esfolar a população trabalhadora, garantindo o assalto aos cofres públicos por meio da fraudulenta dívida pública e o roubo de boa parte dos minguados ganhos da população, mantendo quase 80% das famílias brasileiras endividadas, os seus “súditos” no Banco Central decidiram manter, no fundamental, a política intensificada na gestão do bolsonarista Campos Neto no Banco Central, e que foi “aprimorada” sob o comando de Gabriel Galípolo, ex-“número 2” do Ministério da Fazenda, indicado para o cargo por Fernando Haddad e empossado por Lula.
Essas taxas garantiram, no ano passado, que os bancos ficassem com R$2,1 trilhões do orçamento federal, a título de pagamento de amortizações, juros e serviços da dívida pública. No orçamento deste ano, a previsão é que o montante depositado no “altar dos bancos” seja da ordem de R$1,8 trilhão.
Dentre muitas outras vantagens para os “deuses do mercado”, essa política garantiu que os três grandes bancos privados do país — Itaú, Bradesco e Santander — tivessem um lucro acumulado de R$87,1 bilhões em 2025 (em números oficiais). Um resultado que representou um crescimento de 16,4% em relação ao ano anterior, quando somou R$76,8 bilhões.
Sangrando a economia
Tais lucros superam o montante que o governo federal destinou, dos recursos públicos, para investimentos em 2026, da ordem de R$85 bilhões.
No ano passado, o Brasil bateu outro recorde histórico de arrecadação tributária. No entanto, diante do teto imposto pelo arcabouço fiscal para os investimentos sociais e a estrutura do Estado, todo esse esforço arrecadatório acabou sendo destinado aos elevados gastos financeiros com o Sistema da Dívida, uma dívida pública que não possui nenhuma contrapartida em investimentos no Brasil.
Enquanto o orçamento federal prevê destinar, neste ano, R$1,8 trilhão para o pagamento da fraudulenta dívida pública, que já foi paga diversas vezes, e gastou 42,24% do orçamento com os bancos, no mesmo orçamento a área vital da Saúde ficou com cerca de 10% desse total; a Educação ficou com menos ainda, apenas 3,18%. A Gestão Ambiental, no ano da Conferência COP 30 e de muita demagogia em torno da questão do meio ambiente, ficou com míseros 0,39%, cem vezes menos do que o gasto com a dívida.
Essa política está paralisando o país, como mostraram, dentre outros, os dados sobre o pífio crescimento. O PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025, uma desaceleração em comparação a 2024, quando o país cresceu 3,4%. E mesmo esse pequeno crescimento esteve ancorado nas exportações de commodities, parte da política neoliberal de manter o país como um exportador de matérias-primas.
Os juros na estratosfera também fizeram disparar a inadimplência (veja na matéria abaixo).
E os salários formais continuam rebaixados, sequer tendo voltado aos níveis anteriores aos da pandemia. Pelo contrário, o salário de admissão das vagas formais no Brasil caiu 1,8% no pós-pandemia. Em janeiro de 2020, quem iniciava um trabalho com Carteira de Trabalho assinada ganhava, em média, R$2.433, em valores corrigidos pela inflação. No mesmo mês de 2026, esse valor foi de R$2.389.





