O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou na sexta-feira (20), em Havana, que o país se prepara para uma possível agressão dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante um evento em que ativistas estrangeiros entregaram ajuda humanitária à ilha em meio à crise econômica e energética agravada pelo bloqueio norte-americano.
Ao tratar da política de Washington contra Cuba, Díaz-Canel declarou que toda a pressão possível já foi exercida contra o país. Segundo ele, diante do quadro atual, restaria aos Estados Unidos tentar tomar o poder e destruir o que existe na ilha. O presidente cubano afirmou ainda que o plano de defesa adotado pelo governo está baseado no conceito de “guerra de todo o povo”, apresentado como uma estratégia defensiva.
No mesmo encontro, Díaz-Canel declarou que a direção revolucionária cubana permanece unida e que as decisões do governo são tomadas de forma coletiva. A fala ocorreu em meio ao aumento das ameaças norte-americanas contra o país caribenho e às especulações, divulgadas na imprensa dos Estados Unidos, sobre exigências de mudança política em Havana.
O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que o sistema político cubano e a Presidência da República não estão sujeitos a negociação com os Estados Unidos. A declaração respondeu a reportagens publicadas nos EUA segundo as quais Washington pretende incluir a saída de Díaz-Canel e alterações no regime político cubano como parte de um eventual acordo.
As pressões norte-americanas se intensificaram em meio ao bloqueio do petróleo destinado a Cuba, medida que aprofundou a crise energética e afetou o funcionamento da economia da ilha. A situação se agravou depois da interrupção do envio de petróleo da Venezuela, principal fornecedora do país.
O governo Trump considera Cuba uma “ameaça excepcional”, sobretudo por suas relações com Rússia, China e Irã. O presidente norte-americano já manifestou interesse em promover uma mudança de regime — um golpe — na ilha e indicou que haverá consequências caso Havana não aceite negociar nos termos colocados por Washington.
No sábado, a União Nacional Elétrica de Cuba informou uma nova desconexão total do Sistema Eletroenergético Nacional, a terceira ocorrida em março, depois da imposição do bloqueio de combustíveis pelos Estados Unidos. Segundo o Ministério de Energia e Minas, a falha ocorreu às 6h38, por uma oscilação de voltagem causada pela baixa frequência, e os protocolos de recomposição do sistema foram acionados logo em seguida.
A recuperação do serviço elétrico foi iniciada de forma gradual, com o acionamento de sistemas destinados a alimentar as centrais termelétricas e, a partir delas, restabelecer os circuitos. O governo cubano informou também que, a partir da manhã de domingo, o sistema poderá contar com a energia gerada por mais de 40 parques fotovoltaicos construídos em 2025 e já conectados à rede.
As dificuldades no abastecimento de eletricidade vêm de semanas de alta demanda e de déficits significativos na geração por falta de combustíveis. A escassez afeta não apenas o rendimento das centrais termelétricas, mas também impede o funcionamento dos motores de geração distribuída, já que Cuba não conseguiu adquirir diesel e óleo combustível nos últimos meses. Ao mesmo tempo, várias unidades termelétricas permanecem fora de operação por avarias decorrentes de anos de uso contínuo.
Além de bloquear a compra de petróleo, diesel, gás liquefeito e outros combustíveis, os Estados Unidos também impõem obstáculos às exportações cubanas de bens e serviços, reduzindo a entrada de divisas e limitando a capacidade do país de adquirir peças e insumos para recuperar seu parque energético. Apesar disso, Cuba mantém um programa de recuperação da capacidade de geração, expansão da energia solar e ampliação da produção nacional de petróleo e gás associado.




