Guerra no Oriente Próximo

Em crise, sionismo e imperialismo aumentam censura e repressão

Países como Catar, que procuram uma posição de equilíbrio, agora intensificaram a repressão aos que defendem o Irã

Na medida em que o imperialismo e o sionismo vêm fracassando em impor uma derrota à República Islâmica do Irã, o aumento das medidas repressivas e o controle rígido da informação tornaram-se recursos fundamentais. Em meio ao cenário de guerra, o governo israelense enfrenta uma crise de coesão social sem precedentes, marcada pelo confronto direto com setores religiosos, enquanto as monarquias do Golfo intensificam a censura para ocultar o impacto real das baixas em combate e o crescimento da oposição doméstica às suas políticas regionais.

Um dos focos centrais dessa crise interna em “Israel” é a mobilização dos judeus ultraortodoxos, conhecidos como haredim, contra o alistamento militar compulsório. Historicamente isentos do serviço nas Forças de Ocupação de “Israel” por motivos religiosos, esses grupos passaram a ser alvo de recrutamento forçado à medida que o exército enfrenta dificuldades de pessoal para sustentar frentes de batalha prolongadas. A resistência dos haredim é fundamentada em princípios teológicos que, em diversas vertentes ortodoxas, rejeitam a própria existência do Estado de “Israel” por considerarem a criação de uma entidade política judaica antes da vinda do Messias uma violação dos fundamentos da religião. Esse impasse resultou em manifestações reprimidas com violência pela polícia israelense, com registros de agentes derrubando carrinhos de bebê e agredindo civis em áreas residenciais. A intensificação da força policial contra essa parcela da população indica um colapso na política de consenso interno, exacerbado pela percepção de que a segurança nacional está fragilizada e pela fuga de cidadãos para abrigos ou para fora do país.

Paralelamente à crise interna israelense, há uma política sistemática de censura da imprensa para impedir a divulgação de crimes de guerra e do avanço das forças de resistência. Durante a guerra em Gaza, o número de jornalistas mortos superou os registros de toda a Segunda Guerra Mundial. No Catar, país que abriga tanto a maior base militar dos Estados Unidos na região quanto o escritório político do Hamas, a repressão também se manifestou na prisão de analistas e jornalistas, como Fatameh al-Samad, vinculada à Al Jazeera, após publicações que apoiavam posturas defensivas do Irã. Essa guinada repressiva do Catar sinaliza um alinhamento mais rígido com as diretrizes imperialistas, rompendo com sua tradicional postura de equilíbrio diplomático na região.

No centro do imperialismo, os Estados Unidos adotaram medidas para blindar a opinião pública contra os custos humanos da guerra. O governo norte-americano impôs restrições severas à cobertura de funerais de militares mortos em operações recentes, proibindo o registro de fotos e vídeos para evitar o impacto emocional e político das baixas. Há também uma tendência em atribuir perdas militares a acidentes operacionais ou falhas técnicas internas, como incêndios em instalações ou erros de sistemas de defesa, em vez de admitir ataques bem-sucedidos de adversários regionais.

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