A agressão nazissionista de “Israel” contra o Líbano atingiu diretamente, nos últimos dias, trabalhadores da imprensa que cobriam a guerra no terreno. Na quinta-feira (19), o correspondente da emissora russa Russia Today (RT) Steve Sweeney e o cinegrafista Ali Rida Sbeity ficaram feridos depois que um míssil israelense atingiu a posição em que gravavam uma reportagem nas proximidades da ponte de Al-Qasmiya, no sul do país. Um dia antes, na madrugada de terça-feira (18), o jornalista Mohammad Sherri, diretor de programas políticos da emissora libanesa Al Manar, foi assassinado junto com a esposa em um bombardeio israelense contra a capital, Beirute.
O caso envolvendo a equipe da RT foi registrado em vídeo pela própria câmera de Sbeity. As imagens mostram o momento em que o míssil explode a poucos metros do local onde Sweeney gravava sua entrada. Segundo o relato divulgado pela emissora, a explosão ocorreu a menos de dez metros do repórter. Depois do ataque, também foram divulgadas imagens do atendimento médico e da retirada de estilhaços do braço de Sweeney.
A equipe afirmou que estava identificada como imprensa no momento do bombardeio. Sbeity declarou que as forças israelenses atacaram deliberadamente o grupo, apesar de os dois estarem com uniformes exibindo credenciais de imprensa. Em outro vídeo gravado depois do ataque, ele e Sweeney disseram que estavam fora de perigo. O correspondente britânico informou posteriormente, em entrevista ao programa The Sanchez Effect, que foi atendido por ferimentos de estilhaços nos braços.
“Estou impressionado por termos sobrevivido. Tivemos uma sorte incrível de sair com os ferimentos que tivemos”, disse Sweeney. Em seguida, foi ainda mais direto sobre o que havia ocorrido: “Foi um ataque deliberado, direcionado. Não há nenhuma dúvida sobre isso”.
A reação oficial do governo russo veio poucas horas depois. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, condenou o ataque e afirmou que o episódio não podia ser tratado como acidental. Em mensagem publicada no Telegram, ela escreveu que o bombardeio contra jornalistas identificados “não pode ser chamado de acidental diante do assassinato de duzentos jornalistas em Gaza”.
Zakharova também destacou que o foguete não atingiu “uma instalação militar estratégica significativa”, mas sim o ponto exato em que a reportagem estava sendo gravada. A Rússia informou que convocaria o embaixador israelense em razão do episódio e declarou esperar uma resposta de organismos internacionais.
O bombardeio contra os correspondentes ocorreu apenas um dia depois de outro caso envolvendo a imprensa libanesa. Na madrugada de terça-feira (18), Mohammad Sherri, da Al Manar, foi assassinado junto com a esposa em um ataque israelense a um prédio na área de Zuqaq al-Blat, em Beirute. A emissora confirmou a morte em nota oficial.
“Com grande orgulho, firme fé no caminho do dever e da verdade que seguimos não importa quais sejam os sacrifícios, a Al Manar TV lamenta a perda de seu diretor de programas políticos, colega Hajj Mohammad Sherri, e sua esposa, que foram martirizados no ataque sionista à área de Zuqaq al-Blat, em Beirute”, declarou a emissora.
Segundo a nota, Sherri se recuperava de uma enfermidade após uma cirurgia recente quando foi atingido pelo bombardeio. Seus filhos e netos também ficaram feridos e foram levados a hospitais. O Departamento de Relações com a Imprensa do Hesbolá também divulgou manifestação sobre o ataque, oferecendo condolências e afirmando que “Israel” havia escalado sua agressão para atingir jornalistas da resistência.




