Às vésperas das eleições presidenciais de 2026, o Brasil enfrenta um cenário econômico e político cada vez mais tumultuado. Dados recentes sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e pesquisas eleitorais revelam um momento crítico, com implicações profundas para o governo Lula.
Desaceleração econômica e juros nas alturas
Em 2025, o PIB brasileiro cresceu apenas 2,3%, o menor aumento dos últimos cinco anos, desde a pandemia, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse crescimento modesto reflete o impacto das altas taxas de juros, que asfixiam o desenvolvimento econômico. A economia nacional continua dependente do mercado internacional e da exportação de commodities. A agropecuária registrou crescimento de 11,7%, impulsionada pela produção recorde de milho e soja, principalmente para exportação, mas esse desempenho não conseguiu compensar a estagnação na indústria e nos serviços, que cresceram 1,4% e 1,8%, respectivamente.
Consequências políticas
A crise econômica alimenta uma ofensiva política contra o governo Lula e uma nova onda reacionária. A burguesia golpista e pró-imperialista busca afastar tanto o “lulismo” quanto o “bolsonarismo” da disputa eleitoral, abrindo caminho para um candidato neoliberal e para políticas de austeridade semelhantes às do governo Milei, na Argentina. A decisão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) de quebrar o sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, é uma clara manobra nesse sentido, intensificando as tensões políticas em Brasília.
Pesquisas eleitorais, que são sempre uma peça de campanha, apontam para um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, da extrema-direita, enquanto a rejeição ao governo cresce, refletindo a insatisfação popular com a situação econômica e a percepção de um governo acuado.
Crise no Judiciário e eleições
A crise no Judiciário, marcada por denúncias de corrupção envolvendo o Banco Master, resultou na substituição de Dias Toffoli por André Mendonça na relatoria de processos ligados às denúncias de fraude. Nessas condições, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o compartilhamento de dados considerados críticos, fortalecendo a CPMI, que se tornou um campo de batalha antecipado para as eleições de 2026.
Caminho para o golpe
Com a aproximação das eleições, a combinação de uma economia em desaceleração e de uma ofensiva política intensa coloca o governo Lula em uma crise cada vez mais profunda. Sob pressão da direita, o governo parece se render, buscando alianças como uma possível composição com o MDB, de Michel Temer e companhia, o que pode levar o PT a entregar a disputa pelos governos estaduais em dois terços dos estados, incluindo colégios eleitorais fundamentais, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, e a compor chapas com políticos tradicionais da direita golpista.
Com esses passos, o caminho para o golpe vai sendo pavimentado.





