Mesmo antes do início da criminosa Operação Fúria Épica, deflagrada pelo Comando Central dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro, uma preocupação recorrente entre analistas políticos e militares era saber se o governo norte-americano teria recursos para sustentar uma guerra contra o país persa.
Após quatro dias de conflito, o jornal norte-americano Wall Street Journal publicou, na terça-feira (3), uma análise na qual afirmou que os recursos militares e diplomáticos dos EUA no Oriente Médio ficaram sob crescente pressão, à medida que o Irã, por meio da Operação Promessa Cumprida IV, realizou ondas consecutivas de ataques com VANTs e mísseis contra o regime israelense, além de atingir instalações militares norte-americanas na região.
A análise sustentou que os EUA enfrentam grande dificuldade para combater, de forma contínua, os ataques iranianos em uma área geográfica ampla. Segundo o texto, os mísseis iranianos atingiram para além da Palestina ocupada sob domínio de “Israel”, alcançando também posições associadas ao comando norte-americano em países como Cuaite, Catar e Arábia Saudita.
No texto, o jornal citou Ravi Chaudhary, ex-secretário adjunto da Força Aérea dos EUA responsável por instalações na região, afirmando que esses locais “enfrentam um nível de ameaça sem precedentes neste conflito, visto que o Irã demonstrou claramente tanto a intenção quanto os meios para atacar infraestruturas vitais e dificultar a capacidade dos Estados Unidos de projetar poder aéreo”.
O jornal britânico The Economist publicou uma análise semelhante sobre a quantidade de países do Golfo sob a cobertura de armamentos norte-americanos e sobre a intensidade dos ataques do Irã. “Os países do Golfo podem ter gasto cerca de 800 mísseis interceptores, como o Patriot PAC-3 e o THAAD, em apenas dois dias. A Lockheed Martin fabrica aproximadamente 600 interceptores PAC-3 por ano, enquanto a produção dos sistemas THAAD é significativamente menor”, diz.
A revista norte-americana Forbes publicou, também na terça-feira, uma matéria apontando que, desde o início da guerra, o esforço militar “já pode ter custado ao contribuinte norte-americano US$1 bilhão”. De acordo com o texto, houve centenas de milhões de dólares em perdas apenas com aeronaves abatidas ao longo do fim de semana. Somente três caças F-15E abatidos no Cuaite no domingo (1º) representariam uma perda estimada em US$300 milhões.
A Forbes também listou valores de alguns meios bélicos em uso na região: US$13 milhões por dia (R$68,38 milhões), custo de dois porta-aviões na área; US$43,8 milhões (R$230,388 milhões), valor aproximado de 1.250 VANTs de ataque; entre US$130 mil e US$150 mil por hora de voo (R$683.800 a R$789.000), custo estimado de bombardeiros B-2; US$2 milhões (R$10,52 milhões), custo de um míssil Tomahawk; US$12,8 milhões (R$67,328 milhões), custo de interceptores antimísseis THAAD. O texto observou que ainda não havia confirmação precisa do que, ou de quantos desses armamentos, já haviam sido empregados.
Também houve declarações de analistas militares norte-americanos no sentido de que, mantida a intensidade dos ataques iranianos, os sistemas de defesa sob comando dos EUA poderiam se esgotar em uma ou duas semanas, em contraste com a declaração de Donald Trump, segundo a qual o conflito tenderia a durar de quatro a cinco semanas. Autoridades de defesa relataram que os EUA reposicionaram sistemas de defesa antimíssil THAAD da Coreia do Sul para o Oriente Médio, o que evidenciou a pressão sobre a capacidade de defesa na região.
O Asia Times publicou que Kelly Grieco, pesquisadora sênior do think tank Stimson Center, em Washington, alertou que os EUA estavam “usando [munições] mais rápido do que conseguimos repô-las”, destacando o caráter insustentável do emprego de interceptores de alto custo contra VANTs iranianos de baixo custo. O jornal também mencionou que o apoio tecnológico e de vigilância por satélite da China e da Rússia ao Irã pesou na evolução do confronto.
Considerando que ainda não se completou uma semana desde o primeiro ataque dos EUA e de “Israel” ao Irã e que já surgiram alertas sobre o desgaste dos sistemas antimísseis, inclusive com o deslocamento de meios de defesa para o Oriente Médio, o quadro descrito nas análises indica risco cada vez maior sobre a capacidade de reposição de munições por parte dos Estados Unidos.




