Os mais recentes ataques do Irã contra países do Golfo — em retaliação à ofensiva lançada pelos Estados Unidos e por “Israel” — produziram um efeito político que vai muito além do estritamente militar: expuseram, diante de milhões de pessoas, a fragilidade das ditaduras árabes e a falência da aliança imperialista vendida como garantia eterna de estabilidade.
A escalada levou mísseis a atingirem diferentes países que abrigam bases e estruturas militares norte-americanas na região. Em um dos episódios mais simbólicos, a embaixada dos Estados Unidos em Riade, na Arábia Saudita, foi atingida por veículos aéreos não tripulados (VANTs).
É aqui que se abre a dimensão revolucionária do fenômeno — a ação militar, ao cruzar fronteiras e atingir a zona que se vangloriava de sua “segurança”, desmoraliza as ditaduras árabes perante suas próprias populações.
As monarquias do Golfo se sustentam em dois pilares: repressão interna e submissão externa. Por dentro, controle social, perseguição a opositores, censura, prisões. Por fora, bases militares estrangeiras, compras bilionárias de armamentos e “parcerias estratégicas” com o imperialismo. O problema é que essa equação funciona enquanto o centro imperialista consegue impor sua autoridade por meio do terror. Quando a guerra chega às portas desses países e quando até analistas da imprensa imperialista admitem que as monarquias podem ficar sem munição, toda a autoridade se esfacela.
Isso explica por que, mesmo condenando os ataques e fazendo declarações duras, muitos desses regimes tentam evitar ser arrastados para uma guerra total.
O efeito é ainda mais corrosivo porque revela um segundo aspecto: a fraqueza política do próprio imperialismo. O povo vê que a aliança de seus governos com os Estados Unidos — e, em muitos casos, a colaboração direta com a política de “Israel” — não garante absolutamente nada. Pelo contrário: transforma esses países em alvos e reféns de interesses externos.
E quando o imperialismo mostra fraqueza, os governos locais aparecem como o que de fato são: governos dependentes e frágeis. Daí nasce a conclusão política central: as condições para a derrubada desses regimes se tornam mais maduras quando a população perde o medo e perde as ilusões.
É por isso que os ataques do Irã têm um impacto revolucionário. A fraqueza das ditaduras tende a criar um processo revolucionário dentro dos países. Chegou a hora de todo o Oriente Médio se livrar do pequeno e do grande Satã.





