O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a repetir afirmações sem apresentar qualquer prova para justificar a agressão norte-americana, em coordenação com “Israel”, contra a República Islâmica do Irã. Em declaração na Casa Branca, na segunda-feira (2), Trump disse que o plano inicial para a guerra “projetou quatro a cinco semanas”, mas acrescentou que as Forças Armadas dos EUA tinham “capacidade de ir muito além disso”.
Na mesma fala, Trump retomou a alegação de que ataques norte-americanos realizados em junho do ano passado teriam levado à “obliteração” do programa nuclear iraniano, posição completamente contraditória com a acusação de que o Irã representava ameaça iminente. Ao tentar sustentar a escalada militar, ele descreveu o Irã como responsável por “graves ameaças” aos EUA e afirmou que o programa de mísseis balísticos iranianos “cresceu rápida e dramaticamente”, o que, segundo ele, representava “uma ameaça colossal” para as forças norte-americanas estacionadas fora do país.
“O regime já tinha mísseis capazes de atingir a Europa e nossas bases, locais e no exterior, e em breve teria mísseis capazes de alcançar nossa linda América”, disse Trump.
Ao longo do pronunciamento, Trump também deu sinais de mudança no argumento oficial: em vez de insistir exclusivamente em uma “ameaça imediata”, passou a caracterizar o governo iraniano como um risco potencial de longo prazo. “O propósito desse programa de mísseis em rápido crescimento era blindar o desenvolvimento de armas nucleares e tornar extraordinariamente difícil para qualquer um impedi-los de fazer essas — altamente proibidas por nós — armas nucleares”, afirmou. “Um regime iraniano armado com mísseis de longo alcance e armas nucleares seria uma ameaça intolerável para o Oriente Médio, mas também para o povo americano”, acrescentou.
A legislação norte-americana e o direito internacional preveem que ataques contra outro país precisariam responder a ameaça imediata. A Constituição dos EUA também estabelece que apenas o Congresso pode declarar guerra, enquanto o presidente alegaria poder atuar de forma unilateral diante de ameaça iminente. Ainda assim, na segunda-feira, Trump não apresentou uma linha do tempo clara para o conjunto das operações e limitou-se a afirmar que a projeção inicial era de quatro a cinco semanas, “com capacidade de ir mais longe”.
“Estamos adiantados no cronograma”, disse Trump ao mencionar que o planejamento original previa cerca de quatro semanas para “eliminar a liderança militar” do Irã.
Mortes e novos anúncios do Pentágono
Trump falou depois de o Pentágono ter confirmado, no domingo (1º), o assassinato dos três primeiros militares norte-americanos no Oriente Médio desde o início da escalada. O presidente afirmou que mais mortes poderiam ocorrer. Na segunda-feira, após o Pentágono confirmar a morte de um quarto militar dos EUA, Trump não apresentou previsão objetiva para o fim da operação.
No mesmo período, Trump divulgou dois pronunciamentos em vídeo desde o início dos ataques, incluindo uma gravação tornada pública no domingo, na qual afirmou que o Irã teria travado uma “guerra contra a civilização”.
Até o momento, os números divulgados apontaram ao menos 555 pessoas assassinadas no Irã. Também foram registradas 13 mortes no Líbano, 10 nos territórios ocupados por “Israel”, três nos Emirados Árabes Unidos e duas no Iraque, além de uma morte em cada um dos seguintes países: Omã, Barém e Cuaiete, no âmbito dos desdobramentos regionais e das respostas iranianas.
Hegseth responde a críticas
As declarações de Trump ocorreram após o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, responder a perguntas de jornalistas pela primeira vez desde o início da agressão. O chefe do Pentágono procurou reagir às preocupações expressas dentro do próprio campo trumpista, incluindo setores do “Make America Great Again” (MAGA), que criticaram a entrada em uma guerra prolongada.
Durante a campanha, Trump prometeu reduzir a intervenção militar norte-americana no exterior. Já na segunda-feira, Hegseth afirmou: “isto não é o Iraque. Isto não é interminável”. Em seguida, definiu a operação como “missão clara, devastadora, decisiva” e resumiu os objetivos como: “destruir a ameaça de mísseis, destruir a marinha, sem armas nucleares”.
Hegseth também declarou que “Israel tem missões claras” e disse que os EUA seriam “parceiros capazes”, sem definir quais seriam essas metas. O secretário de Defesa ainda afirmou que o governo norte-americano conduziria a guerra “em nossos termos”, com “máxima autoridade”, “sem regras estúpidas de engajamento”, “sem atoleiro de construção de nação” e “sem exercício de construção de democracia”.





