Está em curso no Banco de Brasília (BRB) uma política de “saneamento” que não deixa nada a dever à política implementada pelo famigerado governo neoliberal de FHC (PSDB) nos anos 1990 para os bancos oficiais, através do PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), que doou, dos cofres públicos, mais de R$ 30 bilhões (na época) para os bancos privados, em nome do tal “saneamento”.
No BRB, o governo do golpista Ibaneis quer meter a mão diretamente no bolso dos trabalhadores e da população de Brasília através de um Projeto de Lei que visa autorizar a entrega do patrimônio do povo de Brasília para os capitalistas em troca de empréstimos, com o objetivo de cobrir o rombo ocasionado por esse mesmo governo do GDF em relação ao maior escândalo financeiro registrado no País, que é o caso do Banco Master.
Tentando justificar o injustificável para promover a política de rapina do governo do GDF, o líder do governo do Distrito Federal (GDF) na Câmara Legislativa, deputado distrital Hermeto (MDB), disse, em entrevista ao portal Metrópoles, “que o Banco de Brasília (BRB) corre risco de ser federalizado se não for aprovado o projeto de lei que dá 12 imóveis como garantias de capitalização da instituição financeira” (Metrópoles.com, 23/02/2026).
Ou seja, no País do maior escândalo financeiro já registrado, que é o caso do Banco Master, em que nenhum banqueiro, político, juiz ou grande capitalista é responsabilizado pelos crimes que comete, o governo do DF segue essa cartilha e procura responsabilizar os bancários (sob o risco da privatização), os trabalhadores e a população em geral por uma conta que, com certeza, não é de sua responsabilidade.
Se é que são verdadeiras as alegações da necessidade de recompor o patrimônio do BRB, pois o “democrático” e “transparente” governo burguês dos banqueiros de Ibaneis mantém a contabilidade do banco fechada ao conhecimento dos regiobancários e da população. Por outro lado, se realmente a situação do BRB é deficitária, a solução do governo do GDF é aprofundar os ataques às condições de vida dos bancários e da população e ajudar a encobrir as várias denúncias de falcatruas realizadas pela administração do seu amigo particular e ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que comandou a instituição bancária desde 2019.
Obviamente isso não está em discussão; todos estão sendo anistiados. Que os trabalhadores paguem a conta.
Sempre é bom ressaltar que o governo Ibaneis não é apenas um governo capitalista; vale dizer, estruturado em torno da defesa da propriedade privada, como é um governo voltado para a aplicação da orientação de defesa dos interesses dos grandes capitalistas, banqueiros, nacionais e internacionais, e do imperialismo, em oposição aos interesses da maioria da população.
Para garantir que os trabalhadores e a população não paguem por mais essa conta, que não é sua, coloca-se para os trabalhadores do BRB a necessidade de construir comitês de base por local de trabalho e exigir da direção sindical que o faça imediatamente. A característica fundamental desses comitês deve ser sua total independência com relação ao governo do GDF. Portanto, seu ponto de partida deve estar vinculado a um programa mínimo que tenha como base a defesa intransigente de um BRB 100% público, sob o controle dos trabalhadores, ou seja, a eleição direta, pelos seus funcionários, para todos os cargos de direção e sua revogabilidade. Pela abertura da contabilidade do banco aos bancários e à população explorada; pela apuração de todas as denúncias de falcatruas no banco.





