A Universidade Marxista, plataforma de cursos do Partido da Causa Operária (PCO), anunciou para o fim de março de 2026 o curso “A história da Revolução Bolivariana”, com condução de Henrique Simonard, da Direção Nacional do Partido. A proposta é apresentar, em ordem histórica, os principais fatos políticos e sociais da Venezuela que levaram à chegada de Hugo Chávez ao poder e à abertura de uma etapa de enfrentamento ao imperialismo na região.
O programa divulgado parte dos antecedentes da crise venezuelana e organiza o conteúdo em blocos que tratam da decomposição do regime do Pacto de Puntofijo, da explosão social do Caracazo, do surgimento do MBR-200 e da vitória eleitoral de Chávez em 1998. A atividade poderá ser acompanhada de forma presencial ou remota.
O primeiro eixo do curso trata da luta armada e da herança dos anos 1960. Nesse ponto, a formação aborda a influência da Revolução Cubana sobre a América Latina e, em particular, sobre a situação venezuelana, além do desenvolvimento das experiências de guerrilha rural e urbana no país. A ideia é situar como se formou, nas décadas anteriores, uma tradição de enfrentamento político que mais tarde reaparece de outras formas no processo bolivariano.
Em seguida, o curso entra no período dos anos 1970, com o tema do “milagre” e da crise do modelo rentista. O programa destaca a chamada “Venezuela Saudita”, período marcado pelo boom do petróleo no primeiro governo de Carlos Andrés Pérez e pela nacionalização da indústria petrolífera com a criação da PDVSA. Ao mesmo tempo, o conteúdo analisa o esgotamento do Pacto de Puntofijo, base do arranjo político que sustentava a alternância entre os partidos tradicionais e a administração de um país dependente da renda petroleira.
A etapa seguinte é centrada no Caracazo, tratado como divisor de águas. O curso prevê o estudo do “Paquetazo” neoliberal e da explosão social de 1989, quando medidas de austeridade impostas pelo governo provocaram levantes populares que começaram em Guarenas e se espalharam por Caracas e outras cidades. Esse momento é apresentado como um marco da crise do regime, com forte repressão estatal, emprego das Forças Armadas e centenas de mortos, além de denúncias de execuções e desaparecimentos.
Depois, o programa avança para o surgimento do MBR-200 e a insurreição militar de 1992. Nesse eixo, a formação trata da radicalização nos quartéis e do golpe de 4 de fevereiro, quando Hugo Chávez aparece nacionalmente como liderança de um setor nacionalista das Forças Armadas. O curso relaciona esse processo ao ambiente de decomposição política e social aberto nos anos anteriores, mostrando como a crise do regime tradicional criou as condições para uma reorganização da luta política.
O quinto bloco anunciado cobre o período “da prisão ao Palácio de Miraflores”, entre 1994 e 1998. O conteúdo inclui a anistia de Chávez, a passagem à via eleitoral e a campanha que culminou na vitória presidencial de 1998. A proposta é mostrar como o chavismo se transforma de uma articulação militar e nacionalista em força política de massas, apoiada por amplos setores populares.
Além desses cinco pontos centrais do programa, a divulgação do curso informa que a formação também tratará do período aberto com a posse de Chávez em 1999. Estão previstos temas como as medidas sociais do chavismo nas áreas de saúde, educação e moradia, o enfrentamento com a burguesia venezuelana, a ofensiva do imperialismo norte-americano e o golpe de Estado de 2002, derrotado em poucas horas pela mobilização popular e pela resistência de setores das Forças Armadas.
O curso “A história da Revolução Bolivariana” custa R$ 250. As inscrições e informações estão disponíveis pelo telefone (11) 99741-0436 e na plataforma da Universidade Marxista.




