Governo Lula

Uma diplomacia vergonhosa

A imprensa direitista ataca a política externa não porque ela seja radical ou anti-imperialista, mas para garantir que Lula permaneça exatamente onde está: de joelhos

Lula

No último dia 20 de fevereiro, o colunista Roberto Amaral publicou no Brasil 247 o artigo A política externa brasileira e os resmungos do jornalão, no qual sai em defesa da atual política do Itamaraty contra as críticas editoriais do jornal O Estado de S. Paulo. A polêmica, centrada na resistência da “elite quatrocentona paulista” a qualquer esboço de autonomia nacional, acerta ao denunciar o papel de capataz do imperialismo exercido pelos Mesquita, mas erra feio ao tentar pintar a política externa de Lula como “ativa e altiva”. Enquanto Amaral se perde em elogios a Celso Amorim e ao que chama de “projeto nacional”, a realidade dos fatos mostra um governo acuado, que, apesar dos latidos da imprensa direitista, entrega ao governo dos Estados Unidos exatamente o que ele quer.

Roberto Amaral descreve com precisão o caráter servil do Estadão, afirmando que o jornal paulista é o “incontestável e orgulhoso porta-voz” do Brasil do atraso, vivendo com as “mentes e as contas bancárias dependentes” da metrópole. O colunista critica o saudosismo da Guerra Fria da família Mesquita, que vê como impertinência “essa teimosia de querer andar com os próprios pés”. O problema é que, para além da retórica de “multilateralismo” e dos discursos em fóruns internacionais, o governo Lula não está andando com os próprios pés; ele está com os pés amarrados pelo Departamento de Estado norte-americano.

A suposta “altivez” celebrada por Amaral derrete diante da covardia demonstrada pelo governo brasileiro no caso da Palestina. Em um momento em que o Estado de “Israel” promove um genocídio televisionado, Lula, em vez de romper relações e apoiar a resistência de forma incondicional, capitulou ao classificar o Hamas como “terrorista”, dando legitimidade à propaganda segundo a qual a resistência armada de um povo oprimido é o crime, e não a ocupação sionista. Onde está a política “independente” quando o Brasil se recusa a reconhecer o direito à autodefesa dos palestinos para não desagradar os editoriais do próprio Estadão que Amaral critica?

A vergonha diplomática se estende ao nosso próprio subcontinente. Na questão da Venezuela, a conduta de Lula e Amorim foi ainda pior. Roberto Amaral tenta blindar o governo afirmando que Lula retomou o projeto de soberania, mas omite que o presidente brasileiro deu declarações desastrosas afirmando que “resgatar Maduro não é prioridade” e que o que importa é a “democracia” — uma palavra de ordem que, na boca de líderes acuados, serve apenas para validar a interferência externa. Lula age como se fosse o tutor da Venezuela, exigindo provas e processos que satisfaçam os EUA, enquanto o país vizinho luta contra o bloqueio econômico sufocante.

O ápice dessa política de submissão ocorreu na cúpula dos BRICS, onde o governo brasileiro protagonizou o papel vexaminoso de vetar a entrada da Venezuela no bloco. Ao barrar um aliado estratégico e vizinho, Lula não apenas traiu a integração latino-americana, mas fez o trabalho sujo que nem mesmo o imperialismo conseguiria fazer de forma tão eficiente por fora. A imprensa direitista ataca a política externa não porque ela seja radical ou anti-imperialista, mas para garantir que Lula permaneça exatamente onde está: de joelhos.

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