Um estudo publicado pela revista científica The Lancet concluiu que o número de palestinos assassinados no genocídio promovido por “Israel” na Faixa de Gaza foi substancialmente maior do que os dados oficiais divulgados até o início de janeiro de 2025. O levantamento aponta que, até 5 de janeiro de 2025, entre 3% e 4% da população do enclave havia sido assassinada de forma violenta.
De acordo com o estudo, enquanto o Ministério da Saúde de Gaza informava em janeiro de 2025 pouco mais de 49 mil vítimas diretas, o total real estaria em torno de 75.200, aproximadamente 35% acima da contagem então registrada. A pesquisa do The Lancet não cobre os ataques posteriores a janeiro de 2025.
Subnotificação e destruição do sistema de saúde
O The Lancet afirma que a composição demográfica das vítimas, mulheres, crianças e idosos, foi registrada de maneira correta pelas autoridades sanitárias de Gaza, que vêm sendo acusadas por “Israel” de inflar números. Segundo o estudo, 42,2 mil mulheres, crianças e idosos foram assassinados entre 7 de outubro de 2023 e 5 de janeiro de 2025, correspondendo a 56% das mortes violentas no período.
Ao mesmo tempo, a revista aponta que as limitações impostas pelo genocídio e a destruição do sistema de saúde levaram a um volume de assassinatos que não entrou nas estatísticas. No texto, os autores escrevem que as provas combinadas indicam “um número substancial” de mortes não violentas provocadas indiretamente pela guerra.
Assassinatos indiretos podem multiplicar a tragédia
O levantamento é o primeiro inquérito populacional independente sobre mortalidade em Gaza durante o período analisado. A revista lembra que, em 2024, publicou uma estimativa segundo a qual, se forem incluídas as mortes indiretas, relacionadas à destruição dos serviços de saúde, fome, doenças etc., o total poderia variar entre 149 mil e 598 mil palestinos assassinados.
No ano seguinte, a revista publicou um texto destacando que cerca de “três milhões de anos de vida” foram perdidos com a guerra genocida contra Gaza, isto é, a soma dos anos que as vítimas teriam vivido caso não tivessem sido assassinadas prematuramente.
Uma investigação da emissora catarense Al Jazeera afirma que milhares de palestinos foram “vaporizados” durante o genocídio pelo uso de armas térmicas e termobáricas de fabricação norte-americana.
Após o cessar-fogo, ‘Israel’ segue massacre
Mesmo após o acordo de cessar-fogo de outubro de 2025, o Ministério da Saúde de Gaza registrou mais de 600 palestinos assassinados, com o número indicado chegando a ao menos 611. A contagem oficial de vítimas diretas, no momento, supera 72 mil.
7 anos para remover escombros
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) informou que a remoção de escombros em Gaza pode levar sete anos. O administrador do órgão, Alexander de Croo, afirmou que 90% da população vive entre ruínas, com riscos sanitários agravados por munição não detonada. O PNUD estima 61 milhões de toneladas de escombros e diz que apenas cerca de 0,5% foi removido até agora.
O programa afirmou ter construído 500 moradias de recuperação e disse haver outras quatro mil prontas, mas apontou que seriam necessárias entre 200 mil e 300 mil unidades para melhorar as condições. O órgão denunciou ainda que “Israel” continua restringindo o acesso de organizações internacionais e a entrada de ajuda e materiais necessários tanto para a remoção de escombros quanto para a reabilitação de moradias e a retomada mínima das atividades econômicas.




