O acúmulo de poderio aéreo norte-americano no Oriente Médio atingiu seu maior nível desde a invasão do Iraque, em 2003, de acordo com reportagem do Wall Street Journal publicada em 18 de fevereiro. O jornal afirma que os EUA vêm deslocando para a região caças de ponta, ao mesmo tempo em que amplia sua presença naval e reforça sistemas de defesa em bases militares espalhadas pela Ásia Ocidental, em meio à escalada de ameaças de ataque contra o Irã.
Segundo o WSJ, os EUA “continuaram a mover” caças F-35 e F-22 para o Oriente Médio, citando um funcionário do governo norte-americano e dados de rastreamento de voos. A reportagem aponta que o porta-aviões USS Abraham Lincoln já chegou à região e que o USS Gerald Ford, o maior porta-aviões norte-americano, também foi deslocado, com aviões de caça, aeronaves de guerra eletrônica e plataformas de comando e controle.
Porta-aviões, caças e reforço de bases
Além do envio de esquadrões de caças e navios de guerra, o WSJ registra que os Estados Unidos reforçaram sistemas de defesa antimísseis THAAD em bases norte-americanas na região. O conjunto de meios, segundo fontes citadas pelo jornal, daria aos EUA a capacidade de sustentar uma campanha aérea prolongada.
“O poder de fogo dará aos EUA a opção de realizar uma guerra aérea sustentada, de várias semanas, contra o Irã”, disseram ao WSJ funcionários norte-americanos não identificados.
Planos de ataque
A reportagem afirma que, nas opções consideradas pelos EUA, está uma campanha com o objetivo de assassinar dezenas de dirigentes políticos e militares iranianos, com a finalidade declarada de derrubar o governo. Outra possibilidade citada seria um ataque aéreo limitado, voltado a instalações nucleares e de mísseis balísticos. As duas hipóteses, ainda segundo o texto, se estenderiam por semanas.
O WSJ também atribui a funcionários norte-americanos a avaliação de que os EUA estariam “pessimistas” quanto à possibilidade de o Irã aceitar as exigências apresentadas pelos EUA e por “Israel”. O país persa sinalizou disposição apenas para limitar o enriquecimento, rejeitando destruir todo o seu programa, abandonar seu sistema de mísseis e encerrar apoio a aliados na região.
O jornal acrescenta que, na avaliação desses funcionários, Donald Trump poderia se irritar com negociações prolongadas e ordenar ataques.
O precedente do Iraque
O WSJ relaciona o deslocamento atual ao precedente da invasão do Iraque em 2003, que começou com uma campanha maciça de bombardeios, o chamado “choque e pavor”. O texto observa que a ofensiva contra o Iraque levou os EUA a uma guerra longa, com milhares de baixas norte-americanas, centenas de bilhões de dólares gastos e milhões de civis iraquianos assassinados.
Resposta iraniana e aviso sobre novos ataques
A reportagem menciona que o Irã vem advertindo que qualquer guerra ou tentativa de derrubada do governo fracassará e que os EUA não devem se envolver em mais uma guerra sem fim. Também relata que o Irã prometeu atacar “Israel” e bases militares dos EUA por toda a região caso os norte-americanos decidam bombardear o país.
Além disso, o artigo registra a declaração do líder da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, na terça-feira (17), afirmando que a República Islâmica possui armas capazes de afundar porta-aviões norte-americanos “até o fundo do mar”.



