Coluna

Ricardo Nunes e o descaso com a Saúde

“Ricardo Nunes é só mais um, nesta longa linha sucessória de governantes que nutrem um profundo descaso pela população”

A gestão de Ricardo Nunes vai terminar e a cidade de São Paulo, enfim, em breve (confesso haver ansiedade,aqui), poderá agradecer, o final tão esperado, sinceramente, muito aguardado, de um mandato que fez muito mal aos munícipes.

E esse descaso crônico de Ricardo Nunes com a população de São Paulo chega a ser revoltante, sobretudo, porque contradiz toda a farsa do marketing de bom gestor de sua vitrine política que, então, se despedaça, no confronto com sua atuação real de governante.

Aliás, que se diga com clareza: Ricardo Nunes, enquanto gestor, não só é despreparado para atender às demandas dos cidadãos, mas também, por uma maldade de ofício, praticada diariamente, em forma de descuido com as pessoas, faz de Ricardo Nunes, enquanto político, um mal crônico do qual, os munícipes precisam se libertar.

Acontece que a marca de Ricardo Nunes, que ficará escrita, de forma contundente, na história da cidade de São Paulo, é a de que Ricardo Nunes, quer enquanto gestor, quer enquanto governante, apesar de sua propaganda esdrúxula, na verdade, foi incapaz de cuidar das pessoas.

Tanto é assim que, em relação à Saúde, o prefeito Ricardo Nunes simplesmente não está à altura de responder de forma satisfatória às demandas da população e entra ano e sai ano e o atendimento precário na Saúde persiste como uma doença crônica incontornável, violando, assim, dia a dia – quer por descaso, negligência ou inobservância dos princípios constitucionais – o direito de acesso das pessoas aos cuidados básicos de saúde.

E para certificar-se do que digo, basta encaminhar-se a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), adquirir uma senha de agendamento de consulta e ter a consulta com um clínico geral agendada (pasmem!!!) para 2 meses depois.

Isto quando não ocorre do munícipe chegar na UBS de sua região e, ao invés de obter o agendamento da consulta para daqui a 2 meses, é informado que deve comparecer em determinada data e nesta ocasião, será feito o agendamento de consulta que pode, inclusive, ultrapassar os referidos 2 meses.

Não termina aí. O fato de o munícipe comparecer na data determinada para obter o agendamento da consulta não garante que logrará êxito e, chegando tarde ou cedo (ainda que na primeira hora de atendimento da UBS), poderá receber a informação de que não há mais vagas para agendamento, devendo, portanto, retornar em nova data e, assim, sucessivamente, até conseguir atendimento para daqui a 2 meses ou mais.

Por que Ricardo Nunes converte o direito de acesso à Saúde, em uma via crucis, um martírio ?
Porventura, desconhece o prefeito (que prefeito?) as soluções para essa temática tão urgente?
Não sabe Ricardo Nunes que os cuidados com a Saúde exigem celeridade e que procrastinar o atendimento e, posteriormente, o tratamento pode agravar o problema que acomete os cidadãos? E que o custo desta morosidade em ofertar atendimento de Saúde ao munícipe pode afetar o erário público, pelo posterior agravamento do quadro de saúde do paciente, não sabe Ricardo Nunes disso?

Logo ele, que se gaba de ser um gestor eficiente, não conhece sequer o: b–a–ba, do que determina, no orçamento, custos e despesas?
Nao sabe Ricardo Nunes, enquanto prefeito e suposto gestor, que prevenção e tratamento precoce saem mais em conta, do que um quadro clínico agravado pelo descuido da procrastinação?

Em linhas gerais, essa é a situação da Saúde em São Paulo em se tratando apenas das UBSs.

Aliás, UBSs essas administradas em nome da Prefeitura por Organizações Sociais de Saúde (OSSs), que, aliás, foi a forma encontrada pelo poder público para transferir a gestão da Saúde já em 2005, durante o governo do ex-prefeito do PSDB, José Serra.

Com isso, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a ser terceirizado e, ao invés de promover-se a suposta eficiência administrativa ao retirar da prefeitura a incumbência da gestão da Saúde, o que se constata, de fato, é a falência da administração terceirizada, que dia a dia precariza o acesso à Saúde. Ou seja, um SUS terceirizado é um SUS precarizado.

Portanto, o munícipe de São Paulo convive com a herança maldita da terceirização na Saúde introduzida pelo PSDB, da qual o também psdbista Bruno Covas (aliás, vitimado pelo câncer) era seu mais ardente defensor e cujo sucessor Ricardo Nunes (MDB) é sucessor apenas por uma fatalidade do destino, constituindo-se também em fiel adepto do mesmo modelo ineficiente de terceirização da Saúde.

No Centro de São Paulo, a situação torna-se ainda mais dramática em função da inexistência de um Hospital Geral para atender a população dessa região.

Ricardo Nunes, não ouve a demanda dos munícipes:

  • Não ouve os Conselheiros de Saúde quanto à importância de um Hospital Geral para atender quem está domiciliado no território do Centro.
  • Não constrói mais UBSs para otimizar o atendimento do público.
  • Não fiscaliza (já que subscreve o modelo fracassado de terceirização) as OSSs em sua prestação de serviço.

Com isso, evidencia-se que Ricardo Nunes é só mais um, nesta longa linha sucessória de governantes que nutrem um profundo descaso pela população, pois, ao invés, de buscar resolver o problema de acesso à Saúde em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes, para desgraça geral, acomoda-se e contenta-se com seu subsídio (leia-se: salário) de R$ 38.649,83 para deixar, mensalmente, sua conta bancária bem saudável, enquanto as pessoas adoecem na fila de espera, agravando seu quadro clínico, pela procrastinação de um atendimento que ao chegar tarde demais, pode custar muito caro ao paciente do SUS e que fique claro: de um SUS terceirizado.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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