Existe uma campanha contra as Inteligências Artificiais (IAs), e estas são atacadas tanto pela direita quanto pela esquerda que, nesse sentido, acaba se tornando uma linha auxiliar da burguesia.
A estratégia, tanto de um quanto do outro, é provocar o medo nas pessoas, como faz o artigo IA pode virar arma política de alta destruição, de Reimont Otoni, deputado federal do PT-RJ, publicado no Brasil247 nesta sexta-feira (20).
Já no primeiro parágrafo, Otoni vende a ideia de que “em janeiro deste ano, o Relatório de Riscos Globais 2026, do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, alertou para a ameaça crescente da desinformação e da Inteligência Artificial (IA) à estabilidade democrática e às instituições. Não foi uma crítica aleatória”.
Exatamente, não foi uma crítica aleatória, mas interessada. Há um esforço do imperialismo para a desinformação e consequente politização, especialmente dos jovens.
A campanha começou de maneira sorrateira, para o “bem”. Supostamente, para proteger as crianças da pedofilia. Apesar de que esta nunca dependeu de celulares, ou o que seja, para existir. Em seguida, passaram a combater os celulares nas salas de aula sob a desculpa de que os aparelhos diminuem a concentração e a qualidade das aulas. A imprensa burguesa, que milita contra o ensino público e o investimento em educação, começou a defender fervorosamente essa medida.
Agora, algumas universidades já estão proibindo a utilização de celulares, o imperialismo dá mais um passo, não se trata apenas de proteger crianças e adolescentes.
Se engana quem acredita que a coisa vai parar por aí. Em breve, qualquer pessoa terá altas restrições para utilizar a internet. O motivo disso é muito simples: o imperialismo se prepara para uma Terceira Guerra Mundial e precisa estabelecer uma ditadura global ferrenha.
Quem leu o livro 1984, de George Orwell, viu que se trata de uma ditadura em um país constantemente em guerra. Os cidadãos eram todos vigiados e o acesso à informação era monopolizado. O perigo da internet está aí, pois democratiza a informação, enquanto as IAs ampliam e aprofundam esse processo.
Campanha imperialista
Segundo o artigo, “pesquisas mais recentes mostram que o Brasil, de modo acelerado, desponta como um território sensível e chave nesse processo. É o que revela o levantamento inédito do Observatório Lupa, na primeira edição do Panorama da Desinformação no Brasil, mostrando que o uso de IA para criar conteúdos falsos disparou no país. Divulgado esta semana, o estudo mostra que as informações falsas geradas com IA cresceram 308% no país, no curto espaço de um ano — de 2024 para 2025”.
O que é o Observatório Lupa? É membro da International Fact-Checking Network (IFCN), do Instituto Poynter, da qual recebe suporte e aportes. O IFCN e o Instituto Poynter recebem suporte de diversas fundações internacionais que fingem estar focadas em democracia e transparência, tais como: Bill & Melinda Gates Foundation; Open Society Foundations (George Soros); Luminate (parte do grupo Omidyar Network) e National Endowment for Democracy (NED). O NED, como se sabe, atende também pelo nome de CIA.
Em vez de assinar embaixo, qualquer pessoa que se diga de esquerda deveria desconfiar de dados divulgados pelo Fórum Econômico Mundial, que tem atrás de si todo tipo de criminosos, empresas que apoiam o genocídio em Gaza, ou a guerra na Ucrânia, como a BlackRock, Goldman Sachs etc.
Alarde
O artigo de Otoni espalha o medo, diz que “o presidente Lula e o nosso governo são as maiores vítimas [das IAs], com a direita liderando a produção da mentirada”. Dá exemplo de vídeos com falas adulteradas e que “com a proximidade das eleições, a tendência é piorar”.
Não fica de fora a santidade das urnas eletrônicas que, segundo o tal observatório, “a narrativa de descredibilizar as eleições virou uma constante”. E, ainda, que “esse é justamente o objetivo de toda campanha de desinformação: provocar o caos e afetar o discernimento para as tomadas de decisões. Esse discurso [da ‘fraude nas urnas’] não é exclusivo do Brasil, ele também circula em outros países. Portanto, eu diria que é como a narrativa antivacina: é quase como uma categoria de desinformação”.
Como se vê, a preocupação é mundial, e o imperialismo tem controlado as eleições de todos os países. Supostamente, as IAs teriam o poder de afetar o discernimento das pessoas. Então, o que dizer da manipulação, mentiras e distorção da realidade que a grande imprensa pratica desde sempre?
Não é necessário tutelar as pessoas porque existe um suposto manipulador de mentes. A esquerda precisa apenas dar o combate, publicar suas notícias, contrapor, debater, informar em vez de convencer as pessoas a aceitarem a “censura do bem”.
Mais censura, por favor…
O texto de Otoni deixa claro por que a extrema direita tem figurado como antissistema e, com isso, atraído parte significativa da classe trabalhadora. Essa esquerda virou chapa branca, defende inimigos do povo como o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal.
Otoni implora, escreve que “o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tem o dever de coibir as fake news e ter mais ação. Pode iniciar se debruçando sobre os estudos [produzidos pelo imperialismo] que cito e convocando os especialistas no assunto para se capacitar tecnicamente a responder ao desafio”.
Para piorar, diz que “nós, dos partidos progressistas, temos que tomar as ruas com esse debate, insistir no assunto, criar projetos de combate à mentira como arma política e de fortalecimento da Democracia”.
Essas propostas são escandalosas, são extremamente reacionárias, não têm nada de progressistas. Ninguém é ingênuo para acreditar que exista um “combate à mentira”, ou “defesa dos princípios democráticos e éticos”.
A esquerda tem que exigir que o TSE, um puxadinho do STF, pare de criar empecilhos para que todo e qualquer cidadão participe ativamente da política. Criaram uma floresta burocrática que impede que o cidadão, ou os partidos pequenos, possam concorrer nas eleições.
A esquerda tem que exigir que o TSE saia da frente, pare de atrapalhar, e não ficar rastejando, pedindo por mais repressão do Estado.





