O artigo Luciana Genro propõe protocolo climático nas escolas, publicado nesta quinta-feira (9) no sítio Revista Movimento, ligado ao MES-PSOL, mostra a falência e a falta de perspectiva de uma política de esquerda que é inútil mesmo do ponto de vista do reformismo.
Segundo o olho do artigo, o “projeto da deputada cria regras para suspender ou flexibilizar aulas diante de enchentes, temporais e ondas de calor, garantindo segurança e o direito à educação no RS”. Mas, em que suspensão e flexibilização garante o direito à educação? Se uma enchente destruir uma escola, não se pode estudar. A questão é combater as enchentes em vez de ir atrás de paliativos.
O texto diz que “diante do aumento dos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul, a deputada estadual Luciana Genro (PSOL) apresentou na Assembleia Legislativa um Projeto de Lei que institui o Protocolo Climático da Rede Pública Estadual de Ensino. Buscando fortalecer a capacidade de resposta do Estado à crise climática, garantindo o direito à educação com justiça social, o PL 37/2026 cria regras claras para flexibilizar ou suspender atividades escolares mediante a emissão dos alertas oficiais da Defesa Civil”.
Para a direita, a proposta é ótima, pois assume que existem “eventos climáticos extremos”. A direita, que não é trouxa, vai fazer campanha prometendo buscar “fortalecer a capacidade de resposta do Estado à crise climática”.
Em vez de denunciar o sucateamento estatal em detrimento dos lucros dos bancos, do pagamento de uma dívida pública criminosa, a deputada propõe suspensão de aulas.
Culpa do clima?
A enchente de maio de 2024 não foi um raio em céu azul. 83 anos antes já havia ocorrido uma grande enchente que fez o rio Guaíba atingir quase 5 metros de altura. Portanto, não se pode colocar a desculpa em eventos climáticos, uma vez que já se sabia da existência desse risco.
Em 2023, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) de Porto Alegre — responsável pelo sistema — teve um investimento liquidado de R$ 0,00 em prevenção contra enchentes, apesar de ter recursos em caixa. Esses recursos não são utilizados porque o governo prefere pagar a dívida com os parasitas dos bancos.
Além do não investimento, houve redução de equipes. Extinguiram o DEP (Departamento de Esgotos Pluviais), deixando o estado sem pessoal com especialização técnica necessária para operar o sistema.
O sistema, projetado após a enchente de 1941, é composto por 68 km de diques, o Muro da Mauá, 14 comportas metálicas e 23 Casas de Bombas. Para que a cidade não alagasse, as comportas precisariam vedar as passagens e as bombas precisam expulsar a água da chuva para o rio.
No entanto, devido o descaso, muitas comportas não vedaram corretamente (vazamentos) ou cederam sob a pressão da água. No auge da crise, a maioria das 23 casas de bombas parou de funcionar. Em alguns momentos, apenas 4 ou 5 estavam operantes. Ou seja, não foi culpa do clima.
O resultado dessa catástrofe foi enorme: foram registradas 183 mortes (com alguns desaparecidos ainda sendo contabilizados em relatórios posteriores). Mais de 2,3 milhões de pessoas foram atingidas. O estado do Rio Grande do Sul chegou a ter mais de 600 mil desalojados e cerca de 80 mil em abrigos públicos.478 cidades (cerca de 95% do estado) foram afetadas.
Estimativas apontam prejuízos econômicos que ultrapassam os R$ 19 bilhões em infraestrutura e perdas diretas, com impactos no PIB nacional que podem chegar a R$ 97 bilhões a longo prazo. Além disso, o Aeroporto Internacional Salgado Filho ficou submerso por semanas, e centenas de estradas e pontes foram destruídas.
Apesar desses números alarmantes, e com os bancos falindo os estados, Lucian Genro diz que “nos últimos anos, enfrentamos enchentes de grandes proporções, temporais severos e, agora, ondas de calor extremo. Como sabemos, esse cenário tende a se intensificar, enquanto estudantes e profissionais da educação seguem expostos a condições adversas, sem diretrizes padronizadas para orientar decisões em situações de emergência”.
Como se viu, a deputada não parte para cima do governo do Estado, não exige o fim do pagamento da dívida nunca auditada e deveria deixar de ser paga. Luciana Genro se conforma, diz calmamente que “como sabemos, esse cenário tende a se intensificar”. É ridículo. Significa que a população do Rio Grande Sul precisa esperar pelo pior. Se chover forte, a tragédia vai se repetir, apesar de que poderia ser evitada com investimentos e prevenção.
Falência política
Como não tem nada para oferecer, além de uma política burguesa e demagógica, Luciana Genro tenta enrolar seu eleitorado com seu dialeto identitário dizendo que “o objetivo é combinar padronização com sensibilidade territorial, assegurando proteção à comunidade escolar e isonomia nas decisões. O direito à educação precisa ser garantido com segurança e dignidade”. – grifo nosso.
Faz muitos anos que o ar-condicionado foi inventado. Ainda assim, o texto do MES encerra dizendo que “a iniciativa se inspira em protocolos já adotados por instituições públicas, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e reconhece que a falta de infraestrutura básica, como ventilação e climatização, pode inviabilizar aulas presenciais em períodos de calor extremo”.
De que adianta reconhecer a falta de infraestrutura? Não é preciso ser de esquerda para chegar a isso, qualquer vítima de uma enchente sabe do que se trata. Quem é de esquerda tem que lutar contra essa situação, mobilizar a população contra o pagamento da dívida e exigir investimentos públicos. É preciso parar de dar dinheiro para os bancos e colocar ar-condicionado nas escolas em vez de ficar repetindo essa ladainha de calor extremo.
Essa proposta de Luciana Genro não consegue nem mesmo ser reformista, que em si já é uma política rebaixada.





