No final do mês de janeiro, o Banco Votorantim (hoje banco BV) demitiu mais de 200 funcionários. São mais de 200 pais e mães de família que receberam um pontapé de forma arbitrária, sem qualquer tipo de justificativa.
Segundo informativo do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, do dia 23 de janeiro de 2026, em plenária virtual realizada com os bancários do banco BV, “muitos demitidos têm mais de 10 anos de casa, ou seja, essas pessoas contribuíram arduamente para construir e consolidar o Banco Votorantim, e agora são descartadas de uma forma desrespeitosa e sem justificativa, já que a instituição apresenta lucro” (site spbancarios, 23/01/2026).
Não é novidade que os banqueiros privados se utilizam da prática das demissões para aumentar seus já fabulosos lucros, medidas que levam à dispensa de dezenas de milhares de bancários todos os anos. Somente em 2025, mais de 45 mil trabalhadores do setor perderam seus empregos. O que chama atenção no caso das demissões no banco BV é que o Banco do Brasil é cúmplice em mais esse ataque aos trabalhadores.
Desde 2009, o Banco do Brasil é acionista com 49,99% do capital votante e 50% do capital total do Banco Votorantim, tendo injetado, à época, um valor bilionário para salvar a instituição da família Ermírio de Moraes, controladora do grupo, em consequência da crise econômica de 2008. Isso significa que, embora a família Ermírio de Moraes mantenha o controle acionário, a gestão é compartilhada com o Banco do Brasil. Portanto, a direção do BB também é responsável direta pelas mais de 200 demissões ocorridas recentemente.
As demissões no banco BV, do qual o Banco do Brasil é um dos responsáveis, são consequência da política adotada pela atual direção do BB, que vem desferindo ataques sistemáticos contra seus próprios funcionários por meio da precarização das condições de trabalho, do fechamento de agências e departamentos, do descomissionamento, da terceirização e do arrocho salarial. Trata-se de um processo de reestruturação que, em sua fase mais recente, determinou a ampliação da jornada para 8 horas diárias em diversos segmentos do banco, apesar de a categoria ter garantido por lei o direito a 30 horas semanais.
Cabe lembrar que, em 2020, a direção do BB anunciou uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) do BV. A operação contou com a participação do JP Morgan, responsável pela preparação do banco para a oferta, além de Goldman Sachs, Morgan Stanley e Itaú BBA. O anúncio ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro, cujo ministro da Economia, Paulo Guedes, defendia abertamente a privatização de estatais, inclusive do Banco do Brasil. A oferta fazia parte de um processo de desinvestimento que favorecia banqueiros privados e dava continuidade à política de privatização do BB.
Diante desse histórico, surge a seguinte questão: as centenas de demissões no banco BV, com o consequente enxugamento da estrutura, seriam um indicativo da retomada da entrega de mais um ativo do Banco do Brasil ao setor privado, nacional e internacional, pavimentando ainda mais o caminho para a privatização do BB? Pelo desenrolar dos acontecimentos, tudo indica que essa hipótese não deve ser descartada.
A única forma eficaz de enfrentar esse cenário, em que centenas de famílias serão diretamente afetadas pelas demissões, é a intensificação das mobilizações e a organização de uma greve de toda a categoria contra as dispensas e em defesa da estabilidade no emprego. As direções sindicais devem atuar com medidas concretas para impedir aquele que é o maior flagelo dos trabalhadores: o desemprego.




