O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno (ex-Voiter) e estendeu o regime especial à Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (Pleno DTVM), que integra o grupo. Em nota divulgada na manhã desta quarta, o BC informou que a medida foi motivada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade” e por “inobservância das determinações do BC”.
O Banco Pleno já integrou o conglomerado do Banco Master. O controlador do Pleno é o banqueiro Augusto Lima, que foi sócio de Daniel Vorcaro no Master. Lima deixou a sociedade com Vorcaro em 2025 e permaneceu com o banco. Lima e Vorcaro foram presos na Operação Compliance Zero e, posteriormente, liberados com uso de tornozeleira eletrônica.
O BC informou que o conglomerado do Pleno detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional.
Liquidez e CDBs
O Banco Pleno enfrentava dificuldades de liquidez e buscava um investidor para continuar operando. Por determinação do BC, a instituição estava proibida de emitir novos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) para se financiar. No mercado secundário, os títulos chegaram a ser negociados a 165% do CDI ao fim de 2025.
Na base de dados do Banco Central, com informações referentes a junho de 2025, o então Banco Voiter registrava patrimônio líquido de R$672,6 milhões e lucro líquido de R$169,3 milhões. No mesmo período, o passivo era de R$6,68 bilhões. Desse total, R$5,4 bilhões correspondiam a CDBs.
Bens indisponíveis e apuração
O Banco Central informou que os bens de Augusto Lima e dos administradores da instituição ficaram indisponíveis. O órgão declarou que continuará tomando medidas para apurar responsabilidades e que o resultado das apurações pode levar à aplicação de medidas sancionadoras administrativas e a comunicações às autoridades competentes, “observadas as disposições legais aplicáveis”.
FGC estima R$4,9 bilhões em depósitos cobertos
Em nota, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) afirmou que o Banco Pleno tem base estimada de 160 mil clientes com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$4,9 bilhões. O FGC garante investimentos de até R$250 mil por CPF ou CNPJ. O fundo também informou que, como o Pleno já não fazia parte do conglomerado Master, o investidor pode ser ressarcido em até R$250 mil em cada uma das instituições.
O FGC declarou que, até 18 de fevereiro de 2026, às 10h, já foram pagos R$37,2 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master, o que representa 92% do montante a ser pago. Em relação ao Will Bank, o fundo estimou R$6,3 bilhões em garantias. O FGC também indicou estimativa de R$40,9 bilhões de cobertura pela quebra do Master.
Relatório do BC ao TCU e estimativas
Relatório do Banco Central encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) apontou gasto de cerca de R$4,3 bilhões na linha de liquidez envolvendo o Master, com recursos usados para honrar vencimentos de CDBs que o banco não tinha capacidade de pagar. Somadas as estimativas mencionadas pelo FGC (Pleno, Master e Will Bank) e o valor citado na linha de liquidez, o total indicado chega a cerca de R$56,1 bilhões, com variação possível por se tratar de estimativas. O conselho do FGC aprovou na semana anterior um plano emergencial para cobrir o gasto e recompor o fundo.
Histórico do Banco Pleno (ex-Voiter)
A instituição enfrentava problemas desde o período em que operava como Indusval. Em 2019, passou a se chamar Voiter, em um plano de transformação digital. Em 2023, a Capital Consig fez uma oferta para adquirir o Voiter, operação que não avançou. Em fevereiro de 2024, o Master adquiriu a instituição.
Em julho de 2025, o Banco Central aprovou a transferência do Voiter para Augusto Lima, que mudou o nome da instituição para Banco Pleno. A aprovação ocorreu no período em que estava em análise a venda do Master para o BRB (Banco Regional de Brasília).
Liquidações anteriores
Em 18 de novembro, foi anunciada a liquidação do Master, do Master de Investimento, da Master Corretora e do Letsbank. Em 15 de janeiro, foi liquidada a administradora de fundos Reag e, em 21 de janeiro, o Will Bank.



