Estados Unidos

Lobby do petróleo nos EUA vê Irã como ‘maior oportunidade’

Participantes da conferência anual sobre o Estado e a energia norte-americana deixaram claro seu interesse em deslocar o foco de Venezuela para o Irã

Participantes da conferência anual sobre o Estado e a energia norte-americana, do Instituto do Petróleo Norte-americano (API), realizada em 16 de janeiro de 2026 no teatro Anthem, em Washington D.C., expressaram otimismo com cenários de instabilidade no Irã, enquanto manifestavam reservas sobre as pressões para investimentos rápidos na Venezuela.

A reunião contou com a participação de executivos da indústria petrolífera, lobistas e consultores para discutir o futuro da energia norte-americana em meio à crise do imperialismo. Um dos momentos mais comentados veio do consultor veterano Bob McNally, do Rapidan Energy Group, que não escondeu entusiasmo ao falar sobre o “potencial iraniano”:

“Irã representa a maior promessa, embora também o maior risco, mas sem dúvida a maior oportunidade”, declarou McNally do palco. Ele imaginou um cenário em que os Estados Unidos reabrem uma embaixada em Teerã, com um regime alinhado aos interesses imperialistas. “Se nossa indústria puder voltar lá, obteríamos muito mais petróleo, e muito mais rápido do que na Venezuela”, argumentou, destacando a população iraniana como “a mais pró-americana no Oriente Médio fora de Israel”, cultural e comercialmente preparada para parcerias. McNally apresentava um plano de repressão e expropriação do petróleo iraniano utilizando meios militares, com brechas abertas pelos protestos violentos insuflados pela CIA e pelo Mossad.

McNally, que já assessorou o presidente George W. Bush em temas de energia, descreveu uma eventual intervenção para mudança de regime no Irã como um “dia terrível para Moscou, mas maravilhoso para os iranianos, os Estados Unidos, a indústria do petróleo e a paz mundial”. Apesar de não haver dependência econômica significativa entre os dois países, militarmente a presença de ambos divide as forças do imperialismo e a derrota do Irã permitiria maior concentração da pressão dos EUA contra a Rússia.

Em contraste, a Venezuela, onde os Estados Unidos intensificaram ações recentes, incluindo o sequestro do presidente Nicolás Maduro no início de janeiro de 2026, gerou ceticismo entre os presentes. McNally reconheceu que a retomada plena da produção venezuelana não seria imediata. “Você não entra no país, abre uma torneira e 3 milhões de barris por dia fluem. Não é assim que funciona”, disse, referindo-se às conversas privadas com o governo Trump. McNally evita falar diretamente sobre a capacidade de resistência da população venezuelana. Apesar disso, ao enfatizar que a população iraniana é mais pró-EUA do Oriente Médio (algo que, diga-se de passagem, é completamente farsesco) e não falar nada sobre a Venezuela, ele deixa implícito seu medo da coesão nacional venezuelana.

A respeito dos acordos com a Venezuela, McNally indicou que a indústria tem resistido às demandas por reinvestimento acelerado: o objetivo real dos acordos por parte do imperialismo seria elevar a produção de menos de um milhão para três a quatro milhões de barris diários, um processo que demandaria “muitos anos e décadas”. “A indústria está dizendo essa verdade à administração”, completou.

O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, já havia classificado a Venezuela como “não investível” devido supostamente a entraves legais e comerciais herdados de governos anteriores. Omitindo a presença de um governo popular, Trump reagiu criticando a postura da empresa, mas depois elogiou a presidente interina Delcy Rodríguez por avanços em reformas de mercado.

Fontes presentes na cúpula relataram que, nos bastidores, os executivos expressavam preocupações com os riscos na Venezuela, incluindo ações de grupos como FARC e ELN, fora da Venezuela, colocando uma possível invasão como fator de revolta em todo o continente, além de possíveis impactos em parcerias internacionais e na própria rentabilidade. Houve sensação de que a política de intervenção na Venezuela era impulsionada mais por motivações ideológicas, especialmente do lobby cubano-venezuelano da Flórida, ligado ao secretário de Estado Marco Rubio, do que por interesses puramente econômicos da indústria.

Um participante confidenciou que a exigência de Trump para que as empresas arriscassem capitais em apoio à agenda venezuelana representava “uma inversão na relação histórica entre políticos e corporações”. “Foi revelador sobre quem realmente controla o país”, disse.

A conferência encerrou com uma breve demonstração do alcance do API em Hollywood. O presidente do instituto, Mike Sommers, subiu ao palco ao lado do ator Andy Garcia, estrela da série Landman (da Paramount+), para celebrar o patrocínio da entidade à produção. Sommers brincou sobre rumores de que “escrevia o programa”, mas explicou que o API investiu em uma campanha publicitária de sete dígitos na primeira temporada para contrabalançar retratos negativos da indústria. “Percebemos rápido que Landman seria positivo para o petróleo e gás norte-americanos”, afirmou.

A série, exibida em uma plataforma adquirida em 2025 pelo bilionário pró-Trump David Ellison, retrata o setor de extração como essencial, disposto a negociar acordos controversos para manter o fluxo de petróleo, incluindo tramas que falam sobre denúncias reais sobre relações com cartéis mexicanos. Novamente omite significativamente o papel das petroleiras em dar golpes de Estado e expropriar empresas nacionais de petróleo após pressões militares.

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