As declarações do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, ao ameaçar afundar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, expressam algo muito mais profundo: o grau extremo de tensão entre o imperialismo e os países oprimidos.
Há décadas o imperialismo norte-americano busca submeter o Irã por meio de sanções, sabotagens, assassinatos seletivos e ameaças militares. Agora, em meio às negociações em Genebra, mediadas por Omã, o imperialismo intensifica a pressão enviando à região dois porta-aviões, dezenas de navios de guerra e aviões estratégicos.
A resposta iraniana, no entanto, indica que o regime compreendeu que a ameaça não é episódica, mas uma escalada inevitável. Ao declarar que pode enviar ao fundo do mar um porta-aviões norte-americano, Khamenei sinaliza que o país está preparado para a guerra.
O que se coloca no horizonte é uma conflagração de grandes proporções. De um lado, o bloco imperialista encabeçado pelos Estados Unidos, com o apoio do Japão e da União Europeia. De outro, um eixo que inclui Irã, Rússia e China — países que, em maior ou menor grau, enfrentam a ofensiva econômica, diplomática e militar do imperialismo.
O envio do USS Gerald Ford, o maior porta-aviões do mundo, para as proximidades do Irã, e as ameaças reiteradas de Trump de bombardear instalações iranianas caso não haja acordo, demonstram que a política do imperialismo é a guerra. O governo norte-americano exige não apenas limitações ao programa nuclear, mas também a capitulação completa do país, incluindo seu programa de mísseis e sua política regional.
Se o Irã reage de forma tão contundente, é porque percebe que a guerra pode ser inevitável. O imperialismo, mergulhado em uma crise econômica e política profunda, necessita da guerra. A história demonstra que, diante do declínio, as potências imperialistas recorrem à força bruta.
Ao afirmar que os Estados Unidos “não estão prontos para a guerra”, Khamenei também aposta na contradição interna do próprio imperialismo: guerras prolongadas desgastam governos, aprofundam crises e podem provocar convulsões internas. Mas isso não elimina o perigo; ao contrário, pode acelerá-lo. A disposição demonstrada pelo regime iraniano indica que o país avalia que a alternativa — a rendição — significaria sua destruição política e econômica.
A escalada atual é, portanto, um sintoma de algo maior. Quando um líder de um país oprimido ameaça afundar um porta-aviões norte-americano, é sinal de que o mundo caminha para um período de choques cada vez mais violentos.





