Gabriel Araújo

Dirigente Nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Editor da Tribuna do Movimento e do Boletim do Movimento. Militante do Partido dos Trabalhadores e colunista do Voz Operária-Rio de Janeiro.

Coluna

Ucrânia e Europa: decadência imperialista

“Cabe às organizações proletárias deixarem de mão os neoliberais impopulares, que de garantidores da democracia eles não têm nada”

O continente europeu e os regimes políticos dos países que o compõem estão em um processo de decadência que dia após dia tem ficado mais nítido. O conhecido bloco imperialista “democrático” que governava esses países tem ruído de forma muito veloz.

Toda essa situação pode ser resumida de forma imediata pela destruição dos direitos dos trabalhadores com a implementação de uma feroz política econômica neoliberal desde a década de 1980 e os gastos militares que não possuem o menor sentido para população, que após todos esses anos tem consciência de que as aventuras belicistas do imperialismo não surte nenhum efeito na melhora de suas condições de vida. Pelo contrário, a ofensiva europeia contra a Rússia, por exemplo, tem inflacionado o preço dos alimentos e da energia, ocasionados pelas sanções contra os russos devido à guerra da Ucrânia e o boicote à aquisição de fertilizantes e energia.

Nos últimos anos a Europa abriu mão de sua industrialização e de sua capacidade militar em troca de uma proteção norte-americana nesses temas. Em um mix de confiança nessa proteção e também de imposição para que tomasse determinadas posturas, acabou entrando em uma sinuca de bico como no caso da Ucrânia, em que estimulou o referido país a ser bucha de canhão em uma guerra onde claramente não poderia sair vitorioso.

A situação sobre os desdobramentos da guerra da Ucrânia é a principal demonstração do processo de colapso constante que a Europa está vivenciando. Enquanto o povo dos países europeus vem sofrendo, seus governantes têm despejado bilhões de euros no conflito.

A ascensão de partidos como do Irmãos de Itália de Giorgia Meloni, o crescimento do Reunificação Nacional de Marine Le Pen na França, do Reforme o Reino Unido Nigel Farage na Inglaterra e do Alternativa Para Alemanha (AfD) – para ficar apenas nesses exemplos – são expressões políticas do processo de declínio do tal imperialismo “democrático” que vem perdendo espaço para a extrema-direita.

O despontar da extrema-direita enquanto resposta política a essa situação de esmagamento que o imperialismo submeteu a população europeia também é reflexo da orientação política equivocada da esquerda, que em nome da pseudodemocracia capitalista com receio da extrema-direita busca se alinhar ao tal imperialismo “democrático”, acabando por se vincular a impopularidade de quem implementa a destruição das condições de sobrevivência da população. Ou seja, ao invés de canalizar o descontentamento antissistema que toma o continente europeu, para apontar para um verdadeiro processo de ruptura com imperialismo em todas as suas tonalidade, apresentar um programa político-econômico de industrialização e de garantir dos direitos sociais, a esquerda se atrela com os genocidas econômicos responsáveis por gerar milhões de famintos pelo mundo e por efetuar várias guerras para saquear países.

A extrema-direita, pelo contrário, tem apresentado diretrizes políticas, a maioria delas de maneira demagógica – característica fundamental da extrema-direita e do fascismo – que vão no sentido de sanar essas debilidades provocadas pela implementação da política econômica neoliberal.

Por outro lado, a ascensão da extrema-direita também reflete um próprio deslocamento da burguesia imperialista em seu conjunto para o fascismo. As circunstâncias de crise estão dadas e tem seguido seu fluxo de agravamento, o que coloca para a burguesia a necessidade de adotar métodos fascistas para combater o processo insurrecional da classe operária que se avizinha e que é inevitável, dado o grau de exploração, exclusão e repressão que vem sendo imposto. Por isso, é necessário ir fazendo esse processo transitório para o fascismo. O próprio governo dos EUA é exemplo disso.

Sendo assim, cabe às organizações proletárias deixarem de mão os neoliberais impopulares, que de garantidores da democracia eles não têm nada, como podemos ver no caso norte-americano, com o fascismo ascendendo os mesmos vão parar em seu colo. É necessário também abandonar a política identitária que apenas nos distancia do trabalhador, discutindo coisas supérfluas que não enchem a barriga de seu ninguém. É preciso trabalhar entorno das reivindicações concretas das amplas massas trabalhadoras e através disso construir um processo de organização que nos prepare para situação agravamento da crise que está em andamento nesse exato momento.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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