O editorial do Estadão desta terça-feira (17), Antissemitismo de manual, faz parte de uma campanha para tentar resgatar a imagem do sionismo, que se encontra em sua pior fase. A culpa é das redes sociais, que teimam em mostrar os assassinatos de mulheres e crianças, seja por bombardeios, seja pela destruição de hospitais e de se impedir o acesso da população de Gaza à água, remédios e alimentos.
As redes também expõem as milhares de violações de cessar-fogo por parte do governo “israelense” contra o Líbano e contra Gaza e some-se a isso as agressões contra o Irã. Todos os dias, também, se vêm a demolição de casas e colonos acobertados pela polícia invadindo as propriedades de palestinos e agredindo seus moradores, roubando ou matando suas criações.
Estadão, Folha de São Paulo, dentre outros, estão se aproveitando de uma fala de Jessé Souza para, ao mesmo tempo, agredir a esquerda e tentar resgatar o sionismo. Publicamos uma matéria (leia) explicando a farsa por trás da acusação contra o professor.
O jornal burguês inicia dizendo que “o sociólogo Jessé Souza publicou um vídeo no qual tomou a rede de tráfico e exploração sexual de menores criada por Jeffrey Epstein como pretexto para reeditar as mais abjetas teorias antissemitas. Ao fim e ao cabo, o indigitado atribuiu os crimes cometidos por um indivíduo – que, por acaso, era judeu – a toda a coletividade judaica”.
O termo “indigidato”, apontado com o dedo, tem a intenção de dar maior dramaticidade ao texto. Mas, serve muito mais para identificar esse jornal, que apoiou a ditadura militar, que sempre soube premiar os dedos-duros.
Existe uma omissão proposital no editorial, a de que Souza se retratou por seu lapso. E se esconde também que Epstein era de fato agente do Mossad. Portanto, se seus crimes não devem ser atribuídos à comunidade judaica, podem, e devem, ser associados ao governo do criminoso Estado de “Israel”.
Acobertando criminosos
No editorial se lê que “como muitos de seus colegas na academia e companheiros progressistas, Souza explora a suposta defesa do povo palestino contra o que chama de ‘opressão’ de Israel. Nesse sentido, odiar Israel e seu povo equivale a odiar o ‘opressor’. Logo, a desumanização dos judeus em geral, disfarçada como ‘antissionismo’ – ou seja, a negação do direito dos judeus de se autodeterminarem em um Estado –, não só está legitimada, como faz essa turma dormir o sono dos justos”.
Como se viu, os direitistas colocam a palavras opressão entre aspas. Ou seja, duvidam, ou até mesmo negam, que isso esteja acontecendo. Os ladrões de terras, assassinos de pelo menos 71 mil pessoas, a maioria de mulheres e crianças, não seriam opressores. A posição do Estadão é abjeta, apoia crimes contra a humanidade, o que não causa surpresa a ninguém.
Os palestinos é que estão sendo privados de sua autodeterminação ao serem impedidos de ter um Estado, e de verem suas terras tomadas sistematicamente por colonos, não os invasores.
Colonialistas, genocidas, não têm direito à autodeterminação. A limpeza étnica na Palestina está documentada e é criticada não por “antissemitas”, mas por israelenses, como Ilan Pappé e Shlomo Sand.
Distorções
No quarto parágrafo, o Estadão diz que “ao afirmar que Epstein seria “o produto mais perfeito do sionismo judaico” e que agiria sob a influência de um “lobby judaico”, Souza difundiu a ideia de que judeus controlariam instâncias globais de poder e as utilizariam para ganhar dinheiro e encobrir seus crimes. Trata-se de uma teoria conspiratória que atravessou séculos e ensejou perseguições, pogroms e violências que, em seu momento mais catastrófico, levaram ao Holocausto. A ideia de um “complô internacional judaico”, associada à corrupção moral dos judeus e à violência contra crianças, é a raiz do antissemitismo moderno”.
O lobby sionista e sua influência e sua influência, no governo dos Estados Unidos, por exemplo, são amplamente conhecidos. Aliás, lobby nesse país é até uma atividade legal, por mais estranho que pareça.
Esse lobby é conhecido por comprar políticos, imprensa, intelectuais no mundo todo. Existem livros sobre o assunto que demonstram o quantos esses grupos influenciam a política americana, levando o país a confrontos, como no Irã. O que tem causado uma profunda mudança e crescente repúdio na sociedade.
As conspirações dos lobbies pró-Israel são muito mais que meras teorias. Violência e pogroms estão sendo praticados diariamente contra palestinos. O sionismo é o pior inimigo dos judeus. Se existe um antissemitismo moderno, com certeza é alimentado pela violência contra crianças na Faixa de Gaza, na Cisjordânia, praticado pelos sionistas.
Ligar Epstein ao sionismo não deve causar nenhum espanto. Aqueles que matam para roubar terras, que assassinam cientistas iranianos e suas famílias, não teriam nenhum problema em ter um predador sexual, um pedófilo, em suas fileiras, seria até natural.
Denúncia
Em seu penúltimo parágrafo, o editoria do Estadão diz que “A fronteira entre a crítica a um governo e a desumanização de um povo é muito bem delimitada. Mesmo assim, Souza a violou deliberadamente. Quando trata Israel como um Estado essencialmente criminoso”.
Sobre esse tema, trazemos as palavras do rabino Yisroel Weiss que, quando esteve no Brasil em novembro de 2024, fez inúmeras denúncias. Dentre elas, disse que “eles [os sionistas] usam a Estrela de Davi, mas estão totalmente em rebelião contra as palavras de Deus porque sabem que não temos permissão para ter um Estado. E claro que não temos permissão para ter um Estado por meio de assassinatos, roubos e opressão. A Torá diz: “Não matarás”. Eles usam a Torá e a desprezam”.
Apoiando o genocídio
Finalmente, o jornal termina dizendo que “no moderno antissemitismo à esquerda, didaticamente explicado por Jessé Souza em seus vídeos, a defesa dos direitos humanos é seletiva e cínica, pois não vale nem para os judeus atacados por terroristas palestinos”.
Quem faz defesa dos direitos humanos seletiva é o Estadão, mas essa defesa não é apenas cínica, mas criminosa.
O jornal trata as pessoas que estão sendo massacradas, roubadas, de terroristas. Esses direitistas criminosos, que apoiaram todo tipo de ditaduras no Brasil e no mundo, omitem que os “terroristas” não atacaram judeus, atacaram invasores. A operação Dilúvio de Al-Aqsa foi dentro de terras palestinas. O que o Estadão faz é mentir e distorcer os fatos, mas isso já era esperado.





