Os Estados Unidos enviaram 100 militares ao norte da Nigéria para treinar e assessorar forças locais, sob o pretexto de “combater o terrorismo”, em meio a um suposto aumento de ataques de grupos armados no país. A chegada do contingente foi confirmada nesta segunda-feira (16) por Samaila Uba, porta-voz do Quartel-General de Defesa nigeriano, que afirmou que os norte-americanos foram deslocados para a região de Bauchi, no nordeste.
Segundo Uba, os militares dos EUA darão “apoio técnico” e atuarão no compartilhamento de informações de inteligência, com o objetivo declarado de “mirar e derrotar” organizações classificadas como “terroristas”. O governo norte-americano também enviou “equipamentos associados” para sustentar a missão. O porta-voz disse ainda que os soldados não teriam papel direto de combate e que a operação estaria sob “plena autoridade de comando” das forças nigerianas.
Em declarações reproduzidas pelo jornal Premium Times, Uba afirmou que “as forças armadas da Nigéria permanecem plenamente comprometidas em degradar e derrotar organizações terroristas que ameaçam a soberania do país, a segurança nacional e a segurança de seus cidadãos”.
No último fim de semana, homens armados em motocicletas atacaram três vilarejos no norte da Nigéria, matando ao menos 46 pessoas e sequestrando várias outras. O ataque mais sangrento foi na aldeia de Konkoso, no estado de Níger, onde pelo menos 38 pessoas foram executadas a tiros ou tiveram a garganta cortada, segundo informações divulgadas.
A presença militar norte-americana se dá após uma redução de tensões entre os EUA e a Nigéria, que haviam escalado no fim do ano passado, quando Donald Trump acusou o país de não impedir mortes de cristãos e ameaçou intervir militarmente. O governo nigeriano rejeitou as acusações e analistas destacaram que pessoas de diferentes religiões são vítimas da violência de grupos armados, não apenas cristãos.
Em dezembro, forças dos EUA realizaram bombardeios supostamente contra combatentes ligados ao Estado Islâmico (EI) em uma área do noroeste nigeriano. No mês passado, após conversas com autoridades em Abuja, capital do país africano, o chefe do Comando dos EUA para a África (AFRICOM) confirmou que uma pequena equipe de oficiais norte-americanos já operava na Nigéria com foco em apoio de inteligência.



