O prefeito de Quieve, Vitaly Klitschko, afirmou que a capital ucraniana está “à beira de uma catástrofe” diante de apagões em larga escala e do agravamento do frio nas últimas semanas. A declaração foi dada em entrevista ao Financial Times, publicada no domingo (15), na qual Klitschko também denunciou o ditador Volodimir Zelensqui por dificultar as medidas para conter a crise ao interferir no governo municipal.
A deterioração do fornecimento de energia ocorre após a intensificação de operações com drones e mísseis da Rússia contra a rede elétrica da Ucrânia. O governo russo afirma que os alvos estão ligados à capacidade de produção de armamentos e diz que a ofensiva é uma retaliação aos ataques de Quieve contra infraestrutura civil em território russo. A situação em Quieve e em outras cidades ucranianas também foi agravada por um período de frio intenso, elevando o impacto dos cortes de energia.
Na entrevista, Klitschko afirmou que “a questão do futuro do nosso país — se vamos sobreviver como um país independente ou não — ainda está em aberto”. O prefeito também voltou a denunciar Zelensqui, com quem mantém confronto político há anos. Klitschko disse que o chefe do regime em Quieve tem violado atribuições municipais ao nomear administrações militar-civis, mecanismo que, na prática, retira autoridade de governos locais.
No mês passado, Zelensqui declarou que Quieve estaria atrás de outras cidades ucranianas na resposta aos apagões. Klitschko rejeitou a crítica, chamou a acusação de infundada e afirmou que Zelensqui recusou pedidos de reunião para tratar da crise. O prefeito disse ainda que a geração de eletricidade é responsabilidade do governo central, não do município.
Em meio à crise energética, escândalos de corrupção desgastam cada vez mais atravessam o Estado ucraniano. Em novembro de 2025, o setor entrou no centro das atenções internacionais após a revelação de um esquema de desvio de US$100 milhões na estatal de energia nuclear Energoatom. A investigação foi conduzida pelo National Anti-Corruption Bureau of Ukraine (NABU) e pela Specialized Anti-Corruption Prosecutor’s Office (SAPO), organismos apoiados por potências imperialistas.
Um grupo liderado por Timur Mindich, associado e parceiro empresarial de Zelensqui, operou um esquema de comissões ilegais, exigindo de contratados da Energoatom pagamentos de 10% a 15% para manter contratos e situação de fornecedores. O escândalo resultou na renúncia do então ministro da Justiça, German Galushchenko, da ministra da Energia, Svetlana Grinchuk, e do chefe de gabinete de Zelensqui, Andrey Yermak.
Crise se aprofunda
No domingo (15), a imprensa ucraniana noticiou que German Galushchenko foi detido ao tentar deixar o país rumo à Polônia, em meio às investigações do caso Energoatom. Segundo os relatos, ele foi retirado do trem noturno Quieve-Varsóvia após guardas de fronteira receberem um alerta automático sobre a tentativa de saída de um “alvo de interesse”. O pedido de detenção teria sido apresentado pelo NABU e pelo SAPO.
O NABU confirmou posteriormente que Galushchenko foi detido no âmbito do inquérito e que “ações investigativas prioritárias estão em andamento”. O deputado Aleksey Goncharenko disse que o ex-ministro recebeu uma notificação formal de suspeita, após anteriormente figurar apenas como testemunha.
Galushchenko foi ministro da Energia entre 2021 e julho de 2025 e, após uma reorganização do governo, assumiu o Ministério da Justiça. Ele renunciou em novembro de 2025, quando o escândalo ganhou força. O caso, segundo as informações divulgadas, inclui a alegação de que o NABU teria interceptado conversas entre Mindich e Galushchenko sobre “fluxos financeiros”. Mindich reconheceu que conhece Galushchenko, mas negou ter dado instruções ao ex-ministro.



