No dia 14 de fevereiro de 2026, o jornal O Globo publicou o editorial Maquiagem não disfarça alta no rombo das estatais, no qual utiliza dados orçamentários e projeções de déficit para atacar a gestão das empresas públicas, com foco especial nos Correios. O texto classifica os investimentos estatais como “incúria” e “drible contábil”, sustentando a tese de que o governo Lula mascara a realidade fiscal para manter empresas que, segundo o jornal, são apenas um fardo para o contribuinte. No entanto, o que transparece no artigo não é uma preocupação técnica com as contas públicas, mas sim o renovado apetite privatista de uma imprensa que atua como porta-voz do sistema financeiro, tentando preparar o terreno para a entrega do patrimônio nacional à iniciativa privada.
O texto insiste na falácia neoliberal de que “investimento é gasto” e que estatais devem funcionar sob a lógica exclusiva do lucro contábil. Ao atacar o investimento de R$4,2 bilhões no PAC e os recursos destinados aos Correios, o jornal ignora deliberadamente a função social e estratégica dessas instituições. Para os porta-vozes do capital, pouco importa se os Correios garantem a integração nacional e chegam a rincões onde nenhuma empresa privada aceitaria operar por falta de lucro; o que importa é asfixiar a empresa financeiramente para justificar sua venda a preço de banana. A “maquiagem” que o jornal denuncia é, na verdade, o uso legítimo do Estado para impulsionar o desenvolvimento.
A hipocrisia do editorial atinge o ápice ao mencionar que o prejuízo dos Correios é garantido pelo “contribuinte”. O jornal, que sempre se calou diante do dreno de centenas de bilhões de reais que saem do Tesouro diretamente para os bolsos dos banqueiros através do pagamento de juros da dívida pública, subitamente se tornou “zeloso” com o dinheiro do povo quando se trata de investir em infraestrutura ou serviços postais. O Globo não quer proteger o contribuinte; quer proteger a margem de lucro dos bancos e transportadoras privadas que salivam diante da possibilidade de abocanhar o mercado nacional. A verdadeira “incúria” é a proposta de O Globo: desmantelar o serviço público para que o cidadão pague mais caro por serviços essenciais.
A campanha privatista do jornal tenta esconder o caráter de classe do Estado brasileiro. Ao criticar o governo por não realizar “cortes de pessoal na proporção necessária”, o editorial defende abertamente o desemprego de milhares de trabalhadores e a piora dos serviços. É o cinismo típico da família Marinho: enquanto lucram com concessões públicas de comunicação, pregam a austeridade para as empresas que atendem aos pobres. A ideia de que “estatal dando mãozinha a estatal” (como a Caixa ajudando os Correios) seria um problema revela a aversão que a burguesia tem de que o Estado funcione de forma integrada e independente do sistema financeiro privado.
O Globo deve ser lido pelo que ele realmente é: um panfleto propagandístico do setor privado. Não há “malabarismo contábil” maior do que a propaganda de um jornal que tenta transformar investimento em crime e destruição de patrimônio em “eficiência”.




