Nas últimas horas, bombardeios das forças de ocupação de “Israel” se intensificaram no norte da Faixa de Gaza, com ataques concentrados na região de Jabalia e áreas próximas, enquanto hospitais alertaram estar próximos de uma falência total por falta de combustível, aumento de feridos e escassez de insumos.
De acordo com o correspondente da emissora libanesa Al Mayadeen, um helicóptero de “Israel” abriu fogo a leste de Jabalia e feriu duas pessoas. Ainda conforme o relato, a artilharia atingiu as áreas orientais da cidade. Moradores também relataram novos disparos contra regiões próximas a Sheikh Zayed, no norte.
A pressão militar ocorre em paralelo ao agravamento da crise nos serviços de saúde. O diretor do Complexo Médico Al-Shifa, Mohammad Abu Salmiya, afirmou que há uma “catástrofe real” ameaçando o sistema de saúde em Gaza, à medida que o combustível se esgota e os geradores, última fonte de energia dos hospitais, se aproximam de parar.
“Se os geradores pararem, os hospitais vão se transformar em lugares de morte, e não de cura”, disse Abu Salmiya. Ele afirmou que os geradores funcionam continuamente desde 7 de outubro de 2023, sem fonte alternativa de energia. Segundo o diretor, a entrada de óleo e de peças de reposição sofre restrições severas, enquanto as remessas de combustível têm sido mínimas e irregulares.
O alerta do Al-Shifa se soma ao de outras unidades. O Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir al-Balah, informou que pode suspender suas atividades por falhas nos geradores e combustível insuficiente, quadro que, segundo Abu Salmiya, espelha a situação do próprio Al-Shifa, do Hospital Nasser, em Khan Iunis, e de diversas instalações em toda a Faixa de Gaza.
Abu Salmiya advertiu que a interrupção dos geradores paralisaria centros cirúrgicos, unidades de terapia intensiva, incubadoras neonatais, laboratórios, bancos de sangue e máquinas de diálise. O impacto, afirmou, colocaria imediatamente em risco milhares de doentes e feridos.
Além da ameaça de apagão, os hospitais enfrentam falta geral de medicamentos, materiais médicos e leitos de UTI. Abu Salmiya também relatou crescimento do número de pacientes que necessitam de oxigênio, em meio a condições de poeira na Cidade de Gaza. Ele acrescentou que nenhum novo equipamento médico, incluindo geradores, aparelhos de raio-X ou equipamentos de ressonância, entrou no território desde o anúncio do cessar-fogo, e que os medicamentos autorizados a entrar cobrem, no máximo, 20% das necessidades reais.
Ainda conforme o diretor do Al-Shifa, pacientes com câncer seguem sem acesso à quimioterapia. Ele disse que hospitais têm recorrido a medicamentos antigos e que muitas cirurgias urgentes não estão sendo realizadas por falta de insumos e por equipamentos sem funcionamento adequado.
No Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, o porta-voz Khalil al-Daqran afirmou que as próximas horas serão decisivas para a sobrevivência da unidade. Ele declarou que as reservas restantes de combustível não são suficientes para manter os geradores operando, deixando pacientes em terapia intensiva e nos setores de emergência sob “perigo imediato”.
Em meio à crise hospitalar, o Ministério da Saúde palestino em Gaza informou que 591 palestinos foram mortos desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 11 de outubro de 2025, em razão de violações e ataques contínuos ao enclave sitiado. Em boletim estatístico recente, o ministério registrou que, em 48 horas, dois mortos foram retirados debaixo dos escombros e 15 feridos foram transferidos para hospitais em Gaza.
O ministério declarou que, desde 11 de outubro de 2025, o total de mortos chegou a 591 e o número de feridos a 1.598. No mesmo período, afirmou, 726 corpos foram recuperados sob os escombros. O órgão ressaltou que os números apontam a continuidade de ataques, apesar do anúncio de interrupção das hostilidades.
A pasta também informou que, desde o início da ofensiva de “Israel” em 7 de outubro de 2023, o total acumulado de mortos subiu para 72.051 e o de feridos para 171.706. O ministério acrescentou que há vítimas ainda soterradas ou deixadas nas ruas, enquanto equipes de ambulância e de defesa civil não conseguem chegar a diversas áreas em razão dos ataques contínuos e da destruição em larga escala.




