O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou no sábado (14), na Conferência de Segurança de Munique, que os países europeus da OTAN precisam sair da “dependência excessiva” dos Estados Unidos e avançar para mais autonomia e “poder duro”. A posição aparece no momento em que os EUA pressionam aliados por mais gastos militares e cresce o atrito entre EUA e governos imperialistas europeus.
Em uma prévia do discurso divulgada na sexta-feira (13) pelo gabinete do premiê, Starmer declarou: “a Europa deve mudar da dependência excessiva para a interdependência — abrindo um novo caminho em direção à dissuasão soberana e ao poder duro”. Ele também afirmou que “os EUA continuam sendo um aliado indispensável”, mas sustentou que o futuro britânico passa por laços mais estreitos com potências europeias.
Starmer descreveu a Europa como um “gigante adormecido” do ponto de vista militar e lamentou que esse potencial, muitas vezes, “tenha somado menos do que a soma de suas partes”, indicando falta de coordenação e integração entre os países.
O presidente francês Emmanuel Macron reforçou a mesma linha ao dizer que “a Europa tem que se tornar uma potência geopolítica” e que precisa “acelerar e entregar todos os componentes de uma potência geopolítica: defesa, tecnologias e redução de riscos diante das grandes potências”. Macron defende há anos maior autonomia militar europeia e, em novembro de 2018, chegou a propor um “Exército europeu”. Um levantamento recente do Politico apontou que apenas 22% dos alemães e 17% dos franceses apoiam a criação de um exército da União Europeia, apesar da propaganda imperialista em preparação para uma Terceira Guerra Mundial.
No Reino Unido, as cobranças por rearmamento europeu aparecem acompanhadas de alertas internos. Autoridades britânicas têm indicado que o Exército enfrentaria dificuldades em uma guerra contra um adversário de capacidade semelhante após anos de subfinanciamento, e que, em um conflito de grande escala, faltaria munição em poucos dias.
Orban denuncia União Europeia: ‘ameaça à soberania’
Ainda no sábado (14), o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, afirmou em seu discurso anual sobre o “estado da nação” que seu país deveria temer a União Europeia, e não a Rússia, acusando Bruxelas de representar “uma ameaça direta” à soberania húngara. Ele disse que a “máquina opressiva” do bloco tenta influenciar as eleições parlamentares marcadas para 12 de abril.
Pesquisas mencionadas no texto indicam disputa apertada entre o partido governista Fidesz e a oposição liderada por Peter Magyar, ex-integrante do próprio Fidesz. Orban acusou o partido de Magyar de agir sob influência da União Europeia e afirmou que o bloco recorre a “censura, intervenção e manipulação” para minar seu governo. “Devemos aceitar a ideia de que quem ama a liberdade não deve temer o Oriente, mas sim Bruxelas”, declarou.
Orban voltou a criticar o apoio da União Europeia a Ucrânia e rejeitou a entrada do país no bloco, dizendo que a política da União Europeia pode arrastar o continente para uma guerra direta com a Rússia. O texto menciona que, em resposta à resistência húngara, setores da União Europeia estariam cogitando flexibilizar critérios de adesão da Ucrânia para contornar a Hungria.
Na Conferência de Segurança de Munique, o ditador Vladimir Zelensqui atacou Orban e disse que, graças à Ucrânia, ele pode “pensar em como aumentar sua barriga, e não seu exército”. Orban respondeu no X que declarações como essa são “precisamente” o motivo pelo qual a Ucrânia “não pode se tornar membro da UE”.
Orban tem recebido apoio de Trump. Na sexta-feira (13), Trump publicou na Truth Social um endosso ao premiê húngaro como “um líder verdadeiramente forte e poderoso”, na véspera da visita do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, que estava prevista para o domingo (15).





