Em uma análise de fôlego concedida à TV 247, o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, analisou as notícias mais recentes relacionadas ao escândalo do Banco Master.
Para Pimenta, o afastamento de Toffoli dos processos ligados ao banco é o prelúdio de um escândalo que deve se ramificar.
“Isso confirma o que eu achava que estava acontecendo, que esse escândalo estava só no começo. Ele vai se espalhar, vai se transformando num grande escândalo”, afirmou.
O dirigente, ao comentar a tentativa dos demais ministros de blindar o colega através de notas oficiais, declarou:
“A renúncia do Toffoli e a nota dos ministros é uma tentativa de entregar os anéis para salvar os dedos. Entregar o primeiro anel, na verdade, mas eu acho que isso não vai ser suficiente.”
O presidente do PCO destacou que “Alexandre de Moraes está envolvido, Toffoli está envolvido, sabe-se lá mais quem — eu acho que é uma desbarrancada geral”.
Um dos pontos mais importantes da entrevista foi o erro que Pimenta atribui ao governo Lula: a aposta cega na proteção jurídica do Supremo.
“O governo pulou numa piscina de lama, numa piscina podre. Se agarrou num pessoal que é totalmente podre. Tem muita podridão aí. Isso que está aparecendo é a ponta do iceberg”, disparou.
Ele reiterou que o PT se deixou levar por uma ilusão de segurança institucional. “Quem dorme com os cachorros acorda com as pulgas. O PT foi muito longe nessa simbiose com o STF. Agora é difícil também de romper os laços”, alertou, prevendo que a contaminação da imagem do Supremo atingirá inevitavelmente o Palácio do Planalto.
Ao explicar por que o escândalo ganhou tamanha proporção, Pimenta utilizou uma metáfora:
“Esse Banco Master incomodou o sistema financeiro, que é muito poderoso. Ele cutucou o tigre com uma vara curta e o tigre foi para cima e não vai permitir que ministros do STF venham afetar seus interesses econômicos”.
Para o dirigente, o episódio serve para lembrar aos magistrados quem realmente detém as rédeas do país.
“O Alexandre de Moraes não é ninguém. O Toffoli não é ninguém. Eles têm um cargo aí, mas não dá para enfrentar o capital. Os banqueiros falaram: ‘Menino, quem manda nesse país sou eu, não é você'”.
A crise no Judiciário, segundo Pimenta, oferece de bandeja uma campanha de redenção ao bolsonarismo.
“O processo contra o Bolsonaro fica completamente desmoralizado. Foi condenado por pessoas que não têm absolutamente nenhuma envergadura moral. É assim que vai aparecer para a maioria da população”.
Neste cenário, ele não descarta movimentos bruscos na política nacional, incluindo a própria viabilidade da chapa governista
“O Lula poderia renunciar à candidatura se esses escândalos prosseguirem. A burguesia gostaria de ter o candidato da terceira via. Para ela, seria o melhor de todos os mundos”, afirmou, citando que o regime ainda busca um nome “palatável” que não seja Lula nem Bolsonaro.
Finalizando a entrevista, Pimenta abordou o cenário internacional e a fragilidade dos regimes ditos democráticos.
“A democracia está falindo porque o sistema capitalista está falindo. É o regime de uma classe social.”





