Nesta quarta-feira (11), o Partido da Causa Operária (PCO), por meio de seu sítio oficial, publicou uma nota comunicando o falecimento de Neuder Bastos. No texto, a organização trotskista relembra a trajetória de mais de 20 anos de Neuder na militância, destacando “sua convicção socialista e sua camaradagem”, além de seu entusiasmo “nos momentos mais difíceis”.
Na nota, o PCO ainda informa a luta pela qual Neuder Bastos passava há cerca de três anos:
“O companheiro lutava contra um câncer muito agressivo, tendo de se submeter a um pesado tratamento, primeiro na rede privada e, depois de intensa campanha exigindo atendimento, na rede pública. Sofreu todo tipo de consequência da política criminosa dos bancos e vampiros da saúde privada que veem na doença e sofrimento do povo um lucrativo negócio e que atuam com suas máquinas políticas e de propaganda para destruir a saúde pública.”
Também na quarta-feira, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido, comentou sobre o falecimento de Neuder. Durante a Análise da 3ª, transmitida pela Rádio Causa Operária, ele afirmou:
“Primeiramente, queria registrar o fato, bastante triste para o Partido, da perda de um companheiro. Nós perdemos vários companheiros já nesse período. Tivemos o caso da Natália e tivemos outros casos também. Nós temos a impressão geral de que essas doenças estão aumentando, deve haver um fator que explique essa situação. O companheiro teve tratamento, o tratamento não surtiu efeito e ele acabou falecendo. É um fato bastante entristecedor para o Partido de conjunto. Queria deixar aqui as nossas condolências, principalmente com a filha do companheiro, que também é militante do Partido.”
Pimenta ainda denunciou a precariedade do tratamento recebido por Neuder:
“O companheiro não tinha seguro-saúde, não tinha plano de saúde — algo que se transformou na norma para a classe média brasileira. Quando ele se deu conta de que estava com câncer, já era tarde demais para fazer um plano de saúde, pois os planos não aceitam as pessoas com doenças graves. Então, o companheiro teve que se socorrer do tratamento na rede pública”, explicou.
Pimenta também afirmou que o tratamento na rede pública, acompanhado pelo Partido, foi “extremamente acidentado”. “Dois, três anos atrás, aproximadamente, fizemos uma campanha para que o companheiro pudesse fazer a quimioterapia na rede particular, porque os prazos do SUS eram incompatíveis com a situação dele. Daí em diante, o tratamento foi extremamente acidentado. Os hospitais da rede pública não têm recursos, os médicos não têm recursos”, afirmou.
O presidente do Partido relacionou a situação à destruição geral da rede pública de saúde brasileira:
“Não é à toa que as pessoas vão migrando para os planos de saúde privados, que também não são bons, mas são melhores do que a rede pública em geral. Nós podemos dizer aqui com toda tranquilidade que a morte do companheiro tem tanto a ver com a doença, como tem a ver com a precariedade total do atendimento dele na rede pública de saúde”, denunciou.
Leia, abaixo, a nota na íntegra:
Adeus, companheiro Neuder Bastos
A direção do Partido da Causa Operária (PCO) comunica o falecimento, na noite desta terça-feira, dia 10 de fevereiro, do companheiro Neuder Bastos, professor do ensino básico, 53 anos, militante do Partido há mais de 20 anos, engajado na luta de sua categoria sindical e na defesa dos povos oprimidos pelo imperialismo.
Neuder militou no Rio de Janeiro e Brasília, onde trabalhava e residia nos últimos anos. Foi candidato pelo PCO em diversas eleições, em ambas as capitais.
Sua convicção socialista e sua camaradagem fizeram dele uma pessoa que desfrutava de enorme simpatia entre os que lutam por organizar os trabalhadores e a juventude para colocar abaixo a exploração capitalista.
Além da sua atividade política, era conhecido por ser ardoroso torcedor do Botafogo e por seu entusiasmo, mesmo nos momentos mais difíceis.
Há cerca de três anos, o companheiro lutava contra um câncer muito agressivo, tendo de se submeter a um pesado tratamento, primeiro na rede privada e, depois de intensa campanha exigindo atendimento, na rede pública. Sofreu todo tipo de consequência da política criminosa dos bancos e vampiros da saúde privada que veem na doença e sofrimento do povo um lucrativo negócio e que atuam com suas máquinas políticas e de propaganda para destruir a saúde pública.
A direção do PCO envia suas condolências a todos os seus companheiros de luta, a sua filha e militante do PCO, Maya Bastos, e aos demais familiares e amigos.
São Paulo, 11 de fevereiro de 2026
Executiva Nacional do PCO





