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YouTube censura banda de Heavy Metal que defende a Palestina

A banda Cracked Skull sofreu censura do YouTube em 27 de janeiro, quando a plataforma removeu um vídeo publicado por Clênio, vocalista e baixista do grupo

A Banda Cracked Skull sofreu censura do YouTube em 27 de janeiro, quando a plataforma removeu um vídeo publicado por Clênio, vocalista e baixista do grupo, sob alegação de violação das diretrizes da comunidade relacionadas a “organizações criminosas, violentas”. O músico denuncia que o caso representa mais um episódio de censura de conteúdo que apoia a resistência palestina e critica o imperialismo.

Clênio, de 41 anos, é vocalista e baixista da banda Cracked Skull, da cidade de Itaúna, interior de Minas Gerais. Formada há mais de 10 anos, a Cracked Skull é uma banda independente de heavy metal formada em 2014 em Itaúna, Minas Gerais, por um trio de integrantes que se mantém ativo desde seu surgimento. O grupo produz música de forma autônoma, lançando singles e se apresentando em festivais locais como o Itaúna Metal Fest.

Eles tocam heavy metal old school com influências fortes de thrash e death metal, caracterizado por frases musicais pesadas e agressivas. As letras, majoritariamente escritas por Clênio, são abertamente políticas:

“A gente compõe nossas músicas no estilo heavy metal, só que as letras eu escrevo para me expressar, dentro do materialismo, né? Entender a sociedade, expressar a raiva que eu sinto através disso. Para não apenas tocar música, mas para tentar me expressar o mais verdadeiramente possível”, explicou Clênio ao Diário Causa Operária (DCO).

A banda é, nesse sentido, profundamente voltada para a política, funcionando como instrumento de denúncia contra o capitalismo, o imperialismo.

O perfil afetado foi o canal oficial da banda no YouTube. Em 27 de janeiro, Clênio publicou um trecho de apresentação ao vivo no Itaúna Metal Fest, onde a Cracked Skull executou a música Molotov, que fala sobre a resistência palestina. O título do vídeo incluía Cracked Skull no Itaúna Metal Fest – A Palestina vencerá, acompanhado do emoji da bandeira palestina. A plataforma excluiu o conteúdo, justificando que ele se enquadrava em “organizações criminosas, violentas”. Clênio contestou a decisão pela ferramenta da plataforma, mas relatou: “não tive resposta nenhuma também. Segui os passos e esses passos deram numa parte burocrática lá. Uma etapa burocrática da plataforma onde não me leva a lugar nenhum”, sem qualquer contato com atendentes humanos.

Essa, no entanto, não é a primeira vez que a Cracked Skull é censurada. Em 2017, a banda lançou o videoclipe da música Fascism, que denuncia o fascismo como uma das formas mais profundas de manifestação do imperialismo, utilizando imagens do Euromaidan na Ucrânia e dos bombardeios imperialistas na Síria. Clênio explicou:

“Foi no período do Euromaidan, daquela revolução colorida na Ucrânia. Aí a gente compôs essa música, eu estava muito inspirado assim, que eu estava acompanhando o caso, eu estava muito inspirado e muito indignado com tudo que estava acontecendo”, afirmou.

Ao atingir cerca de três mil visualizações, o vídeo foi removido pelo YouTube. Desde então, o canal sofre o que é conhecido como shadow ban, quando a plataforma para de mostrar os vídeos do canal para os usuários: “o canal da banda no YouTube praticamente não existe porque eu desloguei, eu saí do login que eu tenho, entrei por outra conta, entrei na busca, coloquei o nome da banda na busca e assim não acha cara, nossa banda não aparece na busca, aparece na terceira opção ou na segunda opção ali”.

Clênio também perdeu seu perfil pessoal no Facebook, com cerca de cinco mil amigos e criado em meados de 2011, no início da escalada de bombardeios na Faixa de Gaza. Ele postou uma foto de palestinos rezando sobre os escombros de uma mesquita destruída e escreveu: “esse povo é fantástico, é gigante, eles são fortes demais. Estão, mesmo essa mesquita derrubada, bombardeada, eles foram em cima dos escombros rezar ali cara, se reuniram para rezar e manter a tradição deles em cima dos escombros. É impressionante a força desse povo”. A conta foi banida integralmente por violação das “diretrizes da comunidade”.

Clênio atribui os banimentos à censura política exercida por empresas norte-americanas:

“A censura do imperialismo, eles não querem que a gente denuncie o estado de ‘Israel’, eles querem ainda acobertar o genocídio da Palestina, eles querem acobertar totalmente. Isso, para mim, é porque eu fiz uma música que fala da resistência palestina. No meu perfil, eu comentei sobre o bombardeio na faixa de Gaza e a demolição de uma mesquita pelo Estado de ‘Israel’. É censura total, é uma censura mesmo da empresa dos Estados Unidos, da Google. É a empresa do império. Quer acobertar, esconder, quem falar, vão podar e esconder.”

Ele considera o banimento totalmente injusto: “totalmente errado, totalmente injusto, censura na cara total, um ato covarde, uma corporação esmagando um pequeno usuário do serviço dela, apenas por expressar o seu posicionamento político, uma censura”. De acordo com Clênio, o ato não está de acordo com princípios de liberdade de expressão e contraria o que seria esperado em um país com Constituição que protege essa liberdade.

Quanto às medidas para combater a censura, ele é cético em relação à justiça: “na justiça também eu não confio. Eu acho que não vai acontecer nada, eles não vão tomar medida nenhuma em meu favor”. A saída que defende é a denúncia pública: “é denunciar mesmo, expor o caso o máximo possível”. Ele acredita que partidos de esquerda, movimentos sociais e o governo brasileiro devem atuar: “o governo não está fazendo nada a respeito disso. A gente apoiou, votou e tudo. É um governo refém, um governo fraco, não consegue fazer nada”. E completa: “tem que seguir o que está na constituição brasileira, não nos termos da empresa”.

Para Clênio, a importância dessas medidas está em combater o silenciamento de vozes independentes, impedir que veículos independentes sejam apagados e evitar que genocídios sejam encobertos por empresas que controlam o fluxo de informação.

A Cracked Skull segue ativa, com a música Molotov disponível em plataformas de streaming e shows em várias cidades, mantendo a atividade política apesar da censura constante nas redes sociais.

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