Na Análise Política da 3ª desta semana, exibido excepcionalmente na quarta-feira (11), o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, comentou a morte do militante Neuder Bastos, criticou declarações de Lula sobre a Venezuela e a Palestina e criticou a política econômica do Banco Central, com juros de 15%.
Morte de militante e o atendimento na rede pública
Ao falar do falecimento de Neuder Bastos, militante do PCO há quase três décadas, Rui Costa Pimenta registrou “um fato bastante triste para o Partido” e afirmou que casos semelhantes têm ocorrido com frequência entre companheiros da organização.
Pimenta relacionou a morte do militante ao tipo de atendimento recebido. Ele disse que Bastos não tinha plano de saúde e, por isso, “tem que se socorrer do tratamento na rede pública”, que, segundo descreveu, foi “extremamente acidentado”. O dirigente relatou atrasos em procedimentos e disse que, ao cogitar uma imunoterapia, a alternativa seria entrar com processo judicial, o que levaria “três ou quatro meses”, prazo incompatível com a situação de Neuder, como seu falecimento mostrou.
“Nós podemos dizer aqui com toda tranquilidade que a morte do companheiro tem tanto a ver com a doença, como tem a ver com a precariedade total do atendimento dele na rede pública de saúde”, declarou. Em outro momento, criticou a exigência de ações judiciais para acesso a remédios, chamou a burocracia de uma forma “calhorda” de negar atendimento e denunciou que o STF vem tomando decisões que impedem o fornecimento de medicamentos de alto custo.
Venezuela e política externa do governo
A partir de entrevista de Lula ao UOL, Pimenta criticou o presidente por minimizar o sequestro de Nicolás Maduro, ocorrido em 3 de janeiro. Para ele, a fala foi “ofensiva para a Venezuela” e o sequestro configura “um ato de banditismo internacional”. Pimenta disse ainda que não faz sentido o Brasil se colocar como responsável por “democracia” e “bem-estar” na Venezuela, e relembrou que a crise venezuelana é decorrência do bloqueio imposto ao país pelos Estados Unidos.
No mesmo tema, comentou a circulação de notícia falsa sobre venda de petróleo venezuelano a “Israel”. Ele afirmou que há uma campanha permanente de desinformação, destinada a “diminuir o apoio” à Venezuela e a apresentar o país como subordinado a Donald Trump. Pimenta avaliou que, na prática, quem estaria “a reboque” de Trump seria o próprio governo brasileiro no caso venezuelano.
Palestina, Abbas e ‘democracia contra fascismo’
Sobre a fala de Lula a respeito do “Conselho de Paz” proposto por Trump, Pimenta afirmou que o presidente tende a reconhecer Mahmoud Abbas como representação palestina e lembrou que Lula já condenou o Hamas. Na avaliação do dirigente, a Autoridade Palestina não expressa nem a resistência, nem o povo palestinos e serve como peça de uma “farsa” diplomática.
Pimenta atribuiu a guinada do governo a concessões ao grande capital e a um alinhamento ideológico em torno da palavra de ordem “democracia contra fascismo”. Segundo ele, essa linha leva ao alinhamento com as potências imperialistas e, de modo contraditório, termina compatível até com o próprio governo Trump.
Juros de 15% e crise social
Pimenta criticou o elogio de Lula a Gabriel Galípolo, ironizando: “obrigado, Deus, pelos 15% de juros”. Ele disse que a taxa “está levando um monte de gente à falência” e citou restrições no cartão de crédito. Como retrato da situação social, afirmou ver, no centro de São Paulo, comércio fechado e uma fila “gigantesca” de pessoas buscando comida, inclusive trabalhadores. “O povo não come PIB”, resumiu.
Correios, STF e sabotagem para privatização
Sobre os Correios, disse ser “estranho” uma empresa do setor de entregas caminhar para a falência e associou parte do problema à política econômica e tributária. Ele afirmou que há sabotagem administrativa para justificar privatização e criticou decisões judiciais que atingem direitos dos trabalhadores, apontando que o STF interfere em temas que deveriam ser do Tribunal do Trabalho.
Jornada de trabalho e censura nas redes
Questionado sobre a escala 6×1, Pimenta disse que o PCO defende seu fim, mas não concorda com essa palavra de ordem que, para o Partido, deve ser afirmativa: “semana de 35 horas, 7 horas por dia, de segunda a sexta, fim de semana livre, sem redução salarial”.
No encerramento, voltou à campanha contra celulares e redes sociais. Para ele, proibições em sala de aula são “um cavalo de Troia” para avançar restrições mais amplas. Criticou ainda pedidos de banimento do Discord, dizendo que a pressão para censura fortalece as grandes plataformas, que passam a controlar mais o conteúdo.
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