O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou nesta terça-feira (10) que escapou de uma tentativa de assassinato durante uma viagem oficial ao litoral caribenho, após o helicóptero em que viajava não conseguir pousar no local previsto por motivos de segurança. A afirmação foi feita durante uma reunião do Conselho de Ministros transmitida ao vivo pela televisão.
Segundo Petro, na noite anterior ele não conseguiu chegar a Montería, em Córdoba, “porque eu não podia pousar onde eu tinha dito”. O presidente relatou que havia informação de que “iam atirar” contra a aeronave caso se aproximasse da área do pouso. “Estou tentando escapar de ser morto”, disse. Em outro trecho, afirmou que, diante do risco, a comitiva seguiu para o mar aberto: “pegamos mar aberto quatro horas e cheguei onde não tinha que chegar, mas cheguei”.
O presidente não apontou, nas declarações, os responsáveis diretos pelo suposto plano, mas voltou a mencionar ameaças de organizações do chamado “narcotráfico” e disse que esse tipo de alvo contra ele existe desde que assumiu o cargo, em agosto de 2022. Petro também mencionou que já havia denunciado uma tentativa anterior, em 2024.
Clã do Golfo e impasse com os EUA
O episódio ocorre em meio ao aumento da crise política tanto interna quanto externa. O jornal colombiano El Tiempo registrou que, em Córdoba, atua o maior cartel do país, o chamado Clã do Golfo. Ainda de acordo com o jornal, o grupo teria suspendido negociações com o governo após Petro acertar com o presidente norte-americano Donald Trump cooperação para capturar o líder do cartel, Hobanis de Jesus Ávila Villadiego.
Petro e Trump se reuniram na Casa Branca no início do mês. Antes disso, Trump havia atacado publicamente a política colombiana de “combate ao narcotráfico” e chegou a chamar Petro de “líder narco ilegal”. O presidente colombiano rejeitou as acusações e, em declarações recentes, criticou ações militares dos EUA no Caribe e contra a Venezuela, que denunciou como ilegais e imperialistas.
Medidas na polícia e caso de senadora sequestrada
No relato feito no Conselho de Ministros, Petro disse que foram tomadas medidas contra integrantes da polícia, incluindo um general, que, segundo ele, teria recebido ordem para colocar substâncias em suas bebidas com o objetivo de “destruir a reunião com Trump”. As autoridades de segurança do país, até o momento, não confirmaram a existência desse plano.
As declarações também ocorreram após a senadora Aida Quilcué ser levada por homens armados em Cauca, região marcada por conflitos e pela produção de coca. Horas depois, a equipe da senadora informou, em publicação no X, que ela havia sido resgatada. A parlamentar disse à AFP que foi tomada por “vários homens armados”, sem identificar o grupo.
Viagem a Córdoba e enchentes
Petro relacionou a viagem a Córdoba e ao sul do país a ações sobre enchentes e medidas de atendimento a vítimas. Ele também denunciou, segundo seu relato, uso indevido de recursos de ajuda humanitária na região de Montería.
Até agora, nenhum suspeito foi apontado oficialmente e não houve detalhamento público dos órgãos de segurança sobre o suposto atentado mencionado pelo presidente. Também não está claro se se trata de uma tentativa de justificar o aumento da repressão contra a população, sob pretexto de “combate ao narcotráfico”.
Ao mesmo tempo, não se pode descartar a possibilidade de ter sido uma ação organizada pelo imperialismo para ou empurrar Petro para a direita, justamente por meio da repressão ao “narcotráfico”; ou para simplesmente eliminar o presidente colombiano devido às políticas que vão contra os interesses do imperialismo.



