O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukachenko, afirmou na terça-feira (10) que o país terá que fortalecer sua capacidade de defesa em razão das ações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) nas fronteiras ocidentais. “Queiramos ou não… teremos de fortalecer nossas capacidades de defesa”, disse.
Segundo Lukachenko, a ampliação do componente militar na fronteira, “especialmente pela Polônia”, é motivo de preocupação. Ele também afirmou que “as pessoas não gastam dinheiro com tanques e munições sem razão”, em referência ao aumento de gastos e deslocamentos militares em países vizinhos.
A fala em meio à escalada militar após o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, quando a OTAN passou a anunciar novas unidades e reforço de presença avançada perto das fronteiras da Bielorrússia e da Rússia. É o caso da Alemanha, por exemplo, que reverteu o desarmamento imposto ao país após a derrota na Segunda Guerra Mundial e está prestes a se tornar o país mais armado da Europa.
Na segunda-feira (9), o Serviço de Inteligência Externa da Rússia (SVR) declarou que entidades não-governamentais dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Polônia e outros países europeus estão organizando uma operação para tentar desestabilizar a Bielorrússia e “mudar a ordem constitucional”. O órgão citou a possibilidade de uma nova onda de protestos ser articulada para o período das eleições presidenciais de 2030.
O SVR também lembrou que, em 2020, houve tentativa de reverter o resultado eleitoral, com confrontos violentos no país, posteriormente derrotados.
No fim de 2025, o ministro da Defesa bielorrusso, Viktor Khrenin, descreveu a situação na fronteira ocidental como “tensa” e afirmou que ações de líderes de países vizinhos indicariam preparativos para guerra. Khrenin mencionou ainda a discussão de alocação de 5% do PIB para gastos militares como sinal de “orçamento de pré-guerra”.
Além disso, o ministro comentou a presença de mísseis russos hipersônicos Oreshnik, com capacidade nuclear, na Bielorrússia, explicando que se trata de medida de dissuasão diante da agressividade do imperialismo.




