O artigo Com vantagem no centro, Lula rearticula frente ampla e acena ao mercado, de Leopoldo Vieira, publicado no Brasil 247 nesta terça-feira (10), mostra que o PT repetirá o erro da última eleição, vai buscar apoio por cima em vez de se apoiar na base trabalhadora.
De início, Vieira diz que “buscando reeditar e ampliar a frente ampla vitoriosa em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT iniciaram movimentos para atrair o centro político à aliança de reeleição, tanto em nível nacional quanto estadual. Nesta semana, pesquisa do instituto Real Time Big Data mostrou vantagem de 14 a 17 pontos de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro entre eleitores de centro”.
Pesquisas, como se sabe, devem ser vistas com muita cautela, pois a dança dos números nunca cessa.
Dizer que a frente ampla foi vitoriosa, só pode ser em termos eleitorais, pois para o povo a coisa não anda bem. O Brasil se desindustrializa e mais de 50 milhões de brasileiros dependem diretamente do Bolsa Família.
Do ponto de vista político, o governo se vê maus lençóis com o Congresso, tanto que necessita buscar apoio no Supremo Tribunal Federal (STF), aquela corte que o deixou na cadeia por quase dois anos.
Compromissos
O traz um trecho que mostra bem os acordos que o PT vem buscando: “‘Queremos o apoio de todos os partidos que pertencem à base do presidente Lula”, disse à GloboNews o presidente nacional do PT, Edinho Silva, sinalizando avanço nas tratativas com MDB, PSD, Progressistas, União Brasil e Republicanos. As negociações podem convergir, inclusive, para a composição com outro vice centrista, caso o atual vice-presidente Geraldo Alckmin assuma outra posição de destaque. Segundo Edinho, o foco é o diálogo em torno de um projeto com pontos consensuais, o que, se concretizado, aumentaria as chances de reformas econômicas pactuadas a partir de 2027. Isso é relevante porque mitigaria riscos de crise econômica, instabilidade institucional e insatisfação das classes médias e populares com o establishment político e econômico”.
Como se vê, o tal centro é um zoológico que tem todo tipo de bicho. Os acordos políticos simplesmente ignoram a base petista
Lula que acabou de dizer que o Brasil deve agradecer a Deus que exista no Banco Central um Gabriel Galípolo, um sujeito que arruina a vida de milhões de brasileiros mantendo juros elevadíssimos, mas que são a felicidade dos banqueiros, na semana passada, no UOL, “afirmou que considera participar de um debate econômico com a Faria Lima, onde se concentram crescentes preocupações fiscais.”. E, segundo o texto, “o aceno acontece em um contexto de valorização recorde da bolsa brasileira, impulsionada pelo investidor estrangeiro. Com o risco político instalado nos Estados Unidos, a rotação desses fluxos para o Brasil sugere um reconhecimento da combinação de estabilidade política, social, econômica e jurídica do país, André Vieira, do Brazil Stock Guide, explica que o país deixou de ser um caso atípico negativo para se tornar uma alternativa plausível em um mundo mais caótico. ‘Quando o dólar se desvaloriza e o centro global perde força, o capital aprende a conviver com imperfeições — e o Brasil avança’, ressaltou”.
Como já foi dito, a economia vai bem, mas o povo vai mal, pois a riqueza vai se concentrando nas mãos de um punhado de parasitas.
Tudo o que se vê são cálculos eleitorais. Vieira afirma que “as articulações petistas com o centro político ocorrem diante da provável ausência de uma candidatura viável de centro, em razão da imposição do senador Flávio Bolsonaro como nome da oposição, e da ofensiva do PL por palanques puro-sangue nos estados, prejudicando estratégias que priorizam composições voltadas à eleição de grandes bancadas no Congresso Nacional”.
E o fascismo?
Lula, guiado por seu instinto de sobrevivência, tem feito enormes concessões ao imperialismo. Contestou a eleição de Nicolás Maduro, pediu as tais atas para poder reconhecer o pleito.
Adiante, Lula vetou a entrada da Venezuela no BRICS alegando questões eleitorais quando no bloco existem países como o Egito e a Arábia Saudita, que nada têm a ver com a democracia, pois se trata de ditaduras. Ou seja, Lula deu uma desculpa esfarrapada, pois em entrevista ao UOL disse que a libertação de Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, não são prioridade, que o importante seria garantir a democracia no país vizinho, atacado pelo imperialismo.
Donald Trump, que até ontem era visto como a encarnação de Adolf Hitler na Terra, agora é tratado como “amigo”.
Segundo Lula, teria rolado uma química entre os dois. Isso que é amizade. Um país tripudia em cima de nosso vizinho, que viu seu presidente ser sequestrado, e a atitude da diplomacia brasileira foi decretar neutralidade. No entanto, não há neutralidade possível nesse episódio que deveria unir a América Latina, mas se vê o contrário.
A esquerda pequeno-burguesa, agora está com o mico na mão. Como explicar que o “maior fascista” do mundo é amigo do presidente da República?
Essa política externa brasileira é desmoralizante, e não seria exagerado dizer que talvez tem capitulado diante de certa exigência.
Eleições
A verdade é que nada ainda está definido. Na eleição passada, o PT só se lembrou final da campanha para chamar o povo. E venceu por pouco.
Desta vez, o povo foi colocado de lado e só deve ser chamado a atuar mai tarde, conforme as eleições se aproximam. Essa visão é prejudicial pois um governo fraco, baseado apenas em acordo de conveniência, fará com que o governo Lula fica mais acuado e paralisado do que ficou neste último mandato.




