No ano passado, este Diário publicou uma matéria com dados sobre as demissões nos bancos, caracterizando que se tratava de uma onda da ofensiva reacionária dos banqueiros, que se estende desde o famigerado governo FHC (PSDB), na década de 1990, cujo único objetivo é alcançar lucros cada vez maiores às custas da classe trabalhadora e da população em geral.
As reestruturações que ocorrem nos bancos, por meio do fechamento de centenas de agências e dependências bancárias, descomissionamentos, aumento da carga horária e demissões, entre outras medidas, fazem parte do cardápio de ataques dos banqueiros, que vêm massacrando sistematicamente a categoria bancária.
Nesse sentido, os dados do ano passado mostravam que cerca de 6.200 postos de trabalho bancário haviam sido extintos, segundo o Saldo de Empregos no Setor Bancário, uma análise do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) em 2024, realizada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O número resulta da movimentação de trabalhadores bancários: totalizaram-se 39.768 contratações, contra 45.966 demissões, sendo que 50,6% dessas demissões foram sem justa causa, 42,3% foram por desligamento a pedido e 3,5% por desligamento com justa causa.
Agora, os dados de 2025 divulgados pelo Dieese, utilizando os mesmos parâmetros do ano passado, com base no Novo Caged, revelam que, ano a ano, os banqueiros vêm ampliando a política de jogar milhares de trabalhadores bancários nas ruas.
Foram 8.910 postos de trabalho extintos definitivamente em 2025, com a movimentação dada pela diferença entre 45.381 demissões e 36.471 admissões. Dos mais de 45 mil desligados, 56,3% do total foram sem justa causa (25.547); 35,9%, a pedido do trabalhador (16.291); e 4,2% por desligamento com justa causa (1.786).
Essa é uma política criminosa dos banqueiros, que jogam dezenas de milhares de pais de família no desemprego. Demitem essa quantidade de trabalhadores, que recebem um salário um pouco melhor, para substituir por outros que executarão os mesmos serviços, recebendo muito menos. Além disso, com a extinção definitiva de postos de trabalho, a medida tende a sobrecarregar os trabalhadores que permanecem no banco. Hoje, um bancário executa o serviço de três ou mais trabalhadores. Não é à toa que a categoria bancária está no topo do ranking de adoecimento por motivos laborais.
Nesse sentido, a luta pela estabilidade no emprego deve ser uma das principais reivindicações da categoria bancária. Em 2026, ocorre a Campanha Salarial da categoria, e essa questão da estabilidade no emprego deve ser uma das prioridades entre as bandeiras de luta a serem levantadas pelos bancários. Cabe à burocracia sindical sair da zona de conforto em que se encontra e preparar, imediatamente, a categoria para o próximo enfrentamento com os banqueiros.





