Polêmica

Não existe ditadura pior que a do imperialismo ‘democrático’

Ao tratar o governo Trump como uma "anomalia" que destrói um suposto paraíso democrático anterior, autor ignora passado genocida

Nesta terça-feira (10), o portal Brasil 247 publicou o artigo O fim da democracia norte-americana, assinado pelo sociólogo Oliveiros Marques. O texto analisa o governo de Donald Trump nos Estados Unidos, classificando ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e o corte de verbas a estados governados pela oposição como uma “escalada autoritária” que corrói os pilares democráticos. Marques traça um paralelo com a realidade brasileira, alertando que a politica de Trump serve de inspiração para movimentos “extremistas” globais e que a “resistência institucional” seria o único caminho para preservar as “regras do jogo democrático”.

No entanto, essa análise nada mais é do que a capitulação da esquerda pequeno-burguesa diante da farsa da democracia liberal. Ao tratar o governo Trump como uma “anomalia” que destrói um suposto paraíso democrático anterior, Marques ignora que o Estado norte-americano — seja sob democratas ou republicanos — sempre foi uma ditadura de classe ultra-reacionária. A “democracia” dos EUA já nasceu morta: dos campos de concentração para japoneses ao Ato Patriota que aboliu a Quarta Emenda, o imperialismo nunca hesitou em esmagar direitos civis para garantir a dominação política dos monopólios. O que Marques chama de “erosão” é apenas o sistema tirando a maquiagem para enfrentar sua crise terminal.

O cinismo do artigo atinge o ápice ao tentar vender as instituições burguesas como “salvadoras” da “democracia” no Brasil. O autor ignora que essa mesma “resistência institucional” é a que opera, na prática, como uma ditadura judiciária-policial. Enquanto Marques chora pela “ausência de convites para governadores”, a realidade brutal se impõe no Extremo Sul da Bahia. Lá, o governo de Jerônimo Rodrigues (PT), sob o comando de secretários como Marcelo Werner e Adolpho Loyola, utiliza as mesmas “instituições democráticas” para realizar operações militares contra os índios Pataxó. Na vida real, a democracia é a prisão política da liderança índia Joel Braz Pataxó e a conivência do Ministério Público com o latifúndio grileiro.

A “demagogia contra os países oprimidos” fica evidente quando Marques pede vigilância contra o “extremismo”, mas silencia sobre o fato de que o imperialismo “civilizado” da Europa e dos democratas norte-americanos prende milhares por publicações em defesa da Palestina. A agressividade do ICE contra imigrantes, citada no texto, não é uma invenção de Trump, mas o funcionamento padrão da máquina imperialista que explora a periferia do mundo e depois caça os trabalhadores que fogem da miséria por ela provocada.

Portanto, o alerta de Marques é uma inversão completa da realidade. O perigo não é o “fim da democracia”, pois o que ele defende nunca foi democrático. O verdadeiro perigo é a manutenção dessa farsa que desarma a classe operária e os índios diante de seus algozes. O imperialismo “democrático” é, em essência, o maior ditador do planeta.

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