Polêmica

Os ‘democratas’ que celebram as ditaduras árabes

Para os ideólogos do imperialismo, o "perigo" não é a "ditadura", mas o despertar da consciência dos povos oprimidos

No último domingo, o jornal O Globo publicou o artigo O Golfo dá o alarme que o Ocidente ignora, de Nira Broner Worcman. O texto comenta a decisão dos Emirados Árabes Unidos de suspender o financiamento de bolsas de estudo para seus cidadãos em universidades do Reino Unido. O governo dos Emirados justifica a medida alegando que o ambiente acadêmico britânico expõe os jovens à “radicalização islâmica” e ao ativismo político “extremista”, preferindo manter seus estudantes sob o controle de instituições que não permitam o mesmo nível de efervescência política visto após os eventos de 7 de outubro de 2023.

A partir desse fato, Worcman apresenta uma defesa apaixonada da censura, servindo de porta-voz para um imperialismo que, ao se sentir ameaçado, joga fora a máscara democrática e abraça o reacionarismo mais abjeto. A autora afirma que “em certos ambientes, a liberdade de expressão tem servido de escudo para tolerar discursos que rejeitam essa mesma liberdade”. Essa é a senha clássica da demagogia imperialista: a liberdade de expressão é um “valor ocidental” apenas enquanto serve de pretexto para validar bombardeios e ocupações; quando é usada por estudantes para denunciar um genocídio ao vivo, ela se torna um “perigo” que precisa de repressão estatal.

O cinismo atinge o ápice quando a autora exalta a “prudência” de uma ditadura árabe para dar lições ao “Ocidente”. Segundo o texto, “um Estado árabe, muçulmano, decide que é perigoso mandar seus filhos estudar em Londres — e que é mais seguro mantê-los longe do ambiente universitário ocidental”. É a confissão de que o liberalismo “civilizado” prefere a disciplina do chicote das monarquias do Golfo à um povo que lute por sua soberania. Para os ideólogos do imperialismo, o “perigo” não é a “ditadura”, mas o despertar da consciência dos povos oprimidos. Eles preferem um jovem submisso a um rei absolutista do que um estudante que aprende a organizar uma greve ou um protesto contra o massacre do povo palestino.

Worcman recorre ainda à velha tática do pânico financeiro para deslegitimar a revolta estudantil, alegando que o “Catar passou a despejar bilhões de dólares nessas universidades” para comprar “legitimidade política para um regime que sustenta grupos terroristas”. É uma tentativa desesperada de esconder o sol com a peneira: a solidariedade à Palestina e o ódio ao imperialismo não são mercadorias compradas em Doha, mas o resultado inevitável de décadas de opressão violenta. O imperialismo, que sempre usou suas universidades como anexos do Departamento de Estado norte-americano para fabricar ideologia de dominação, agora entra em surto ao perder o monopólio da opinião pública.

O que o artigo de O Globo propõe ao pedir “coragem de proteger seus filhos do fanatismo travestido de pensamento crítico” é nada menos que o estabelecimento de uma ditadura intelectual. É o “imperialismo democrático” mostrando sua face ultra-reacionária: uma ditadura global que usa a palavra “democracia” apenas como enfeite para esconder as garras de um sistema que persegue, prende e silencia quem ousa questionar a ordem dos verdadeiros tiranos do mundo.

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