Maquinistas da Espanha iniciaram nesta segunda-feira (9) uma greve nacional de três dias, convocada após acidentes fatais registrados em janeiro. A paralisação foi anunciada pelo sindicato Semaf, que afirma haver falta de garantias de segurança e cobra contratação de mais funcionários e mais investimento em manutenção.
Dois acidentes em janeiro deixaram ao menos 47 mortos e dezenas de feridos. O episódio mais grave ocorreu em 18 de janeiro, em Adamuz, no sul do país, quando um trem de alta velocidade descarrilou e colidiu com outra composição (conjunto dos vagões em um trem) em sentido oposto, causando 46 mortes, no pior desastre ferroviário espanhol em mais de uma década.
Dois dias depois, na Catalunha, um maquinista em treinamento morreu e ao menos 37 passageiros ficaram feridos após o desabamento de uma parede que atingiu um trem regional perto de Barcelona.
Relatório preliminar da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF) apontou que sulcos encontrados nas rodas do trem de Adamuz e de outras composições que teriam passado pelo trecho indicam que uma fratura no trilho pode ter ocorrido antes do descarrilamento. No caso da Catalunha, autoridades ferroviárias avaliam que a parede cedeu no momento da passagem do trem, atingindo primeiro a cabine do maquinista e danificando de forma significativa o primeiro vagão.
As tragédias provocaram transtornos aos passageiros e levaram o tema ao centro do debate político. O primeiro-ministro Pedro Sánchez deverá ser questionado no Parlamento ainda nesta semana sobre as falhas apontadas no setor.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que não há problema estrutural nem falta de manutenção e citou investimentos de cerca de 700 milhões de euros nos últimos anos na modernização da linha Madri–Andaluzia, incluindo o trecho onde ocorreu o acidente de Adamuz. “Não estamos diante de um problema de infraestrutura obsoleta nem de falta de investimento”, declarou.




