Em uma demonstração de escárnio contra a classe operária, a diretoria dos Correios oficializou na última sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, a contratação sem licitação do escritório de advocacia Wambier, Yamasaki, Bevervanço & Lobo por R$ 800 mil. O objetivo do contrato é garantir a defesa de dirigentes e ex-dirigentes em processos no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre “pedaladas fiscais” ocorridas em 2023. O gasto com advogados de luxo ocorre apenas dez dias após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), desferir um golpe brutal contra os trabalhadores: no dia 27 de janeiro de 2026, Moraes suspendeu benefícios históricos da categoria, alegando que a empresa vive uma situação financeira “periclitante”.
A cronologia dos fatos revela a face perversa da burocracia estatal. Enquanto o trabalhador de base teve seu plano de saúde, o “vale-peru” e a gratificação de férias de 70% arrancados por uma canetada judicial no final de janeiro, a cúpula da estatal não levou duas semanas para encontrar quase um milhão de reais para blindar o próprio patrimônio pessoal. Documentos internos mostram que a prioridade do contrato é “afastar a responsabilização pessoal do dirigente”, ou seja, usar o dinheiro que dizem faltar para o ticket-alimentação para proteger a chefia.
O contraste é violento. Os Correios, que registraram um prejuízo de R$6,1 bilhões entre janeiro e setembro de 2025, utilizam a crise como pretexto para arrochar o trabalhador, mas ignoram a existência de 300 advogados concursados na própria casa para contratar banca externa. A manobra jurídica foi articulada pela ex-diretora Juliana Picoli Agatte — indicada política que já saltou do barco para um cargo no Ministério dos Esportes.
A decisão de Moraes do dia 27 de janeiro atendeu a um recurso da própria empresa contra o dissídio julgado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em dezembro de 2025. Na prática, a diretoria dos Correios pediu ao STF para retirar a comida da mesa do funcionário sob o argumento de que a empresa está quebrada, enquanto simultaneamente negociava contratos de 800 mil reais para garantir que seus diretores fiquem impunes pelas irregularidades contábeis que eles mesmos geraram.
Não há “crise técnica”, mas sim uma política de rapina e uma sabotagem deliberada visando a privatização da empresa. Se há R$800 mil para advogados privados e bilhões para socorrer bancos que financiaram a estatal, tem que haver dinheiro para o acordo coletivo. A categoria precisa responder à altura dessa provocação: a blindagem dos diretores em fevereiro, logo após o roubo dos benefícios em janeiro, é a prova final de que a empresa joga abertamente contra o trabalhador.





