Pelo menos 31 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas após um ataque suicida atingir a mesquita xiita Khadija Tul Kubra, na área de Tarlai Kalan, no sudeste de Islamabade, durante as orações de sexta-feira (6). As informações iniciais foram divulgadas por autoridades paquistanesas e por equipes de resgate que atuaram no local.
A explosão ocorreu enquanto a oração estava em andamento. Um funcionário da polícia, Zafar Iqbal, afirmou que diversos feridos foram levados a hospitais próximos e que a apuração ainda estava em curso, sem definição imediata sobre as circunstâncias técnicas do artefato usado no ataque. Em nota, o governo de Islamabade declarou que 169 pessoas foram transferidas para hospitais depois que as equipes de resgate chegaram à mesquita.
Ataque durante as orações
O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, disse que seguranças do templo tentaram interceptar o suspeito antes da detonação. De acordo com ele, o homem teria aberto fogo contra os guardas e, em seguida, acionado explosivos no meio dos fiéis. Asif também alegou que o autor do ataque vinha viajando “de e para o Afeganistão”, em meio a acusações recorrentes de autoridades paquistanesas de que grupos armados operariam a partir do território afegão, acusações que Cabul nega, tratando o problema como questão interna do Paquistão.
No início da noite, a contagem de vítimas variava conforme os informes divulgados. Um balanço indicou ao menos 31 mortos; outro levantamento, divulgado por policiais, apontou mais de 130 feridos. As autoridades não descartaram a possibilidade de revisão dos números, diante da gravidade de parte dos casos atendidos.
EI reivindica a ação
Na noite de sexta, o Estado Islâmico (EI) afirmou ter realizado o ataque, em publicação em seu canal no Telegram. A reivindicação incluiu uma imagem que, conforme relato atribuído à agência Reuters, mostraria o suposto atacante com uma arma, o rosto coberto e os olhos desfocados. Uma filial do EI já foi apontada como responsável por atentados anteriores contra a minoria xiita no país.
Imagens divulgadas nas redes e verificadas pela emissora catarense Al Jazeera mostraram corpos ensanguentados no interior da mesquita, em meio a estilhaços de vidro e destroços. Um morador de Islamabade, identificado como Aun Shah, disse que seu pai ficou gravemente ferido. “Ele tem um buraco no estômago”, afirmou.
Hospitais lotados e cenas de desespero
No Instituto Paquistanês de Ciências Médicas, em Islamabade, jornalistas da agência AFP relataram a chegada contínua de vítimas. Adultos e crianças foram carregados em macas ou pelos braços e pernas, enquanto profissionais de saúde e pessoas que acompanhavam os feridos ajudavam a retirar vítimas de ambulâncias e veículos. Pelo menos uma pessoa, ainda conforme a AFP, chegou no porta-malas de um carro. Parentes e amigos dos feridos gritavam ao se aproximar da ala de emergência, que estava sob forte vigilância.
Reações oficiais e cobrança por segurança
O primeiro-ministro Shehbaz Sharif divulgou uma nota afirmando “profunda tristeza” com o ataque. O presidente Asif Ali Zardari declarou que “atacar civis inocentes é um crime contra a humanidade” e acrescentou que “a nação está com as famílias atingidas neste momento difícil”.
O vice-primeiro-ministro Ishaq Dar condenou o atentado como um “ataque suicida” contra “fiéis inocentes”. Em publicação na rede X, Dar afirmou que atacar locais de culto e civis constitui “crime contra a humanidade” e “violação de princípios islâmicos”, acrescentando que o país se manteria unido contra esse tipo de violência.
Histórico de atentados em Islamabade e no país
Islamabade já foi alvo de atentados de grande impacto. Em novembro do ano passado, um homem-bomba se explodiu na entrada do Complexo Judicial do Distrito de Islamabade, matando ao menos 12 pessoas e ferindo dezenas. Em setembro de 2008, um ataque com caminhão-bomba atingiu o hotel Marriott, na capital, deixando ao menos 63 mortos e mais de 250 feridos.
No início de janeiro, outro ataque suicida atingiu uma cerimônia de casamento no noroeste do Paquistão, em Dera Ismail Khan, perto da fronteira com o Afeganistão, causando sete mortes. O caso ocorreu em um prédio onde integrantes de chamados “comitês de paz” estavam reunidos.
As investigações sobre o ataque na mesquita Khadija Tul Kubra seguem em andamento. As autoridades afirmam que as equipes de segurança e resgate permanecem mobilizadas e que novas informações devem ser divulgadas após a identificação formal de vítimas e a consolidação dos registros hospitalares.




