Na edição desta quinta-feira (5) da Análise Internacional, transmitida no canal no YouTube do Diário Causa Operária (DCO), o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, comentou a escalada de medidas de censura e controle nas redes sociais, avaliou a situação do Irã diante das ameaças de guerra e abordou a disputa em torno dos arquivos do caso Jeffrey Epstein.
Questionado sobre a busca e apreensão na sede do X (antigo Twitter) na França e o avanço de restrições à liberdade de expressão nas plataformas, Pimenta disse que se trata de uma política em curso “já faz bastante tempo” e apontou dois fatores principais. O primeiro, afirmou, é que “eles perderam o controle da informação”, mas, junto com isso, “estão perdendo o controle do próprio regime político” nos países imperialistas. Para ele, cresce uma oposição “por fora do regime estabelecido”, em geral “de extrema direita”, o que abriria caminho também para o crescimento da extrema esquerda: “nós estamos vendo essa tendência ao crescimento da extrema esquerda”.
O segundo fator, na avaliação do dirigente do PCO, é a preparação para a guerra. Pimenta afirmou que o imperialismo “vem se organizando de uma maneira muito sistemática para a guerra”, citando ameaças no Irã, na Rússia e na China. Nessa linha, declarou que “se você vai fazer uma guerra, você precisa ter um controle da informação” e concluiu: “não tem controle da informação, não dá para fazer guerra”. Segundo ele, mesmo com o apoio da grande imprensa burguesa, os governos não asseguram o controle do fluxo de informações na Internet, o que os leva a uma alternativa brutal: “ou é a censura ou é nada, ou é o desastre político interno e externo”.
Ainda no tema, foi citado a proibição de celulares em universidades, apontada em alguns países como medida “de proteção” contra crimes como pedofilia. Pimenta respondeu ironizando a justificativa: “o negócio da pedofilia vai por água abaixo, desmorona completamente, porque universidade não tem criança”.
Ao ser perguntado se o Brasil funcionou como laboratório de uma política de censura global, Pimenta respondeu afirmativamente e atribuiu isso ao papel de setores da esquerda: “o Brasil é um laboratório porque a esquerda brasileira dá amparo a essa política criminosa”.
Suíça, OTAN e a máquina de censura
Em seguida, foi discutida a decisão da Suíça de elevar gastos militares e se alinhar à OTAN. Pimenta disse que a notícia “revela a extensão da pressão que o imperialismo está fazendo sobre os países todos do mundo”, sobretudo na Europa, e interpretou como um recado de que “não há neutralidade possível”. “Ou a pessoa se alinha ou ela vai ter problemas”, afirmou.
Pimenta argumentou que a burguesia, por ser uma minoria, depende de “convencer a classe média” de que medidas de exceção são necessárias. Ele apontou a guerra na Ucrânia como principal instrumento para esse trabalho ideológico sobre a classe média europeia, sustentado por uma campanha que apresenta o imperialismo como defensor da “democracia” contra inimigos rotulados como antidemocráticos. “Isso vale contra a Rússia, vale contra a Venezuela, vale contra a China, vale contra o Irã”, afirmou. Ele mencionou também a propaganda sobre a “agressividade russa” e a demonização de lideranças como Putin, além de ataques à China e ao Irã, descrito pela grande imprensa como “islâmico, religioso, fundamentalista”.
Segundo Pimenta, sob essa cobertura “vale tudo”: “é censura, é prisão de opositores políticos, é rearmamento, é corte de gastos sociais”. E criticou o argumento de que essas medidas seriam “defesa da democracia”, chamando a tese de “totalmente absurda”.
Irã, Venezuela e a escalada do imperialismo
Ao analisar a possibilidade de guerra contra o Irã, Pimenta disse que o mundo “avançou bastante no caminho de uma guerra, de uma conflagração geral com esse negócio do Irã”. Ele retomou o que chamou de roteiro do imperialismo, “Venezuela, Irã, Rússia e China”, e afirmou que a ofensiva ocorre por “aproximações sucessivas”. Na Venezuela, disse, houve ataque, mas não guerra aberta; no caso do Irã, apontou negociações conduzidas por Trump e, ao mesmo tempo, ações clandestinas para elevar a pressão.
Pimenta declarou que houve “uma operação da CIA, do Mossad, dos serviços de inteligência europeus dentro do Irã” para justificar a escalada. Para ele, os dois principais instrumentos usados como pressão são “a questão da democracia, que é uma farsa total”, e “a questão nuclear”, descrita como política “de tipo colonial” contra países que não possuem armas nucleares. Na avaliação do dirigente do PCO, uma guerra total é difícil, mas ataques localizados são prováveis: “guerra total é difícil, mas um ataque ao Irã não”. Ele acrescentou que a ofensiva tende a se estender a outros países: “eles vão atacar esses países todos. Mais Cuba, mais Coreia do Norte, possivelmente a Nicarágua”.
Arquivos Epstein e a disputa dentro da burguesia norte-americana
Ao tratar do caso Epstein, Pimenta disse que a divulgação de arquivos se transforma em instrumento de disputa entre facções da burguesia norte-americana: “os arquivos viraram uma arma de guerra, de um lado contra o outro”. Em pergunta sobre relações de Epstein com setores da elite financeira brasileira e o tema da soberania, Pimenta afirmou que elementos como contatos envolvendo grandes empresários levantam suspeitas e citou, como exemplo, a reunião de um representante da CIA com o chefe da Polícia Federal, comentada por ele em programa anterior: “é estranho, é suspeito, levanta suspeita”.
Pimenta defendeu que todo o material relacionado a Epstein deveria vir a público, mencionando que o caso envolve chantagem e crimes e afirmando: “o correto seria que tudo fosse colocado às claras”. Ele comparou com a exigência de esclarecimento em relação ao caso do Banco Master e acrescentou: “o ocultamento em si já é um crime”. Na avaliação do dirigente, a “caixa preta” do caso Epstein “deve envolver muita gente” e, enquanto documentos permanecem ocultos, a informação é manipulada. Ele citou suspeitas sobre envolvimento do Mossad e afirmou que, sem a liberação dos documentos, hipóteses não são confirmadas nem refutadas. Pimenta disse ainda que pessoas citadas no caso deveriam se manifestar para esclarecer “o que que aconteceu”.
Cuba e a necessidade de romper o bloqueio
Na discussão sobre Cuba, após pergunta sobre ajuda chinesa e o papel da Rússia, Pimenta disse que não vê contradição entre russos e chineses e avaliou que o agravamento da situação empurra a China a intervir: “os chineses são obrigados a intervir”. Para ele, “deixar o regime cubano afundar seria um erro político extraordinariamente grande”, mas ressaltou que aliados precisam ir além de medidas limitadas e buscar “meios de romper o bloqueio efetivamente”.
Questionado se a revolução cubana corre perigo, Pimenta respondeu que sim, pela pressão econômica: Cuba está “sendo levada para o limite” e o bloqueio, ao atingir energia, cria uma situação “dramática”. Ainda assim, afirmou que o regime político tem apoio popular e pode resistir: “ele tem apoio da população, ele pode resistir bastante”. E concluiu que a tarefa colocada é “uma solidariedade ativa com Cuba”.
Reino Unido, Corbyn e a pressão do regime imperialista
Pimenta também comentou a criação do novo partido ligado a Jeremy Corbyn no Reino Unido, o Seu Partido (Your Party) e as disputas internas na fundação. Para ele, a falta de consenso é “praticamente inevitável”, devido à “pressão muito grande do regime político imperialista britânico”, que, segundo ele, é marcado por infiltração e manipulação. Pimenta disse que é preciso acompanhar se a direção terá capacidade para enfrentar crise, pressão e sabotagem, porque “acreditar numa evolução retilínea” seria “fantasioso”.
Ele criticou a atuação passada de Corbyn na direção do Partido Trabalhista, dizendo que faltou “pensamento estratégico” e que o político “se deixou levar pelas maquinações do regime político”, buscando um apoio burguês “ilusório” ao se colocar contra o Brexit. Ao comentar a influência de ex-estalinistas no entorno de Corbyn, Pimenta associou métodos “truculentos” a uma prática que leva a crises, em vez de apostar num trabalho de frente única “democrático, aberto”.
No final do programa, ao responder um ouvinte de direita sobre convergências contra o “progressismo”, Pimenta afirmou que o que se chama de progressismo “não é uma coisa de esquerda” e atribuiu essa política aos “donos do mundo”, citando o Partido Democrata, governos europeus e a União Europeia. Segundo ele, “sob a cobertura do progressismo” opera uma política “antipopular, antipovo, antitrabalhador”, o que explica por que setores de direita se opõem a ela, ainda que, na avaliação do dirigente, de forma “mais confusa”, enquanto a oposição do PCO seria “mais clara” e “mais definida”.




