Os governos dos Estados Unidos e da Argentina assinaram um acordo de comércio e investimentos que, conforme a própria chancelaria argentina, aprofunda o alinhamento do governo de Javier Milei com os norte-americanos. O entendimento foi assinado pelo chanceler Pablo Quirno e por Jamieson Greer, representante comercial do governo Donald Trump e chefe do USTR.
O texto completo ainda não foi divulgado. A chancelaria informou que a versão final será publicada pelo governo dos Estados Unidos. A Casa Rosada confirmou que o acordo será enviado ao Congresso para tramitação.
Quirno afirmou que o acordo busca apresentar a Argentina como “sócio confiável”, com regras claras e previsibilidade para comércio e investimento. Pelo preâmbulo divulgado, o entendimento prevê redução de barreiras tarifárias e não tarifárias e coordenação contra práticas comerciais tratadas como desleais, apontadas como parte da guerra comercial conduzida pelos Estados Unidos.
Entre os pontos anunciados, os Estados Unidos retirariam tarifas para 1.675 produtos argentinos, com projeção de incremento de exportações de US$1,013 bilhão. Também foi mencionada oferta de financiamento a exportadores argentinos, limitada a bens considerados “estratégicos” para os Estados Unidos, como minerais críticos, por meio do Exim Bank e da Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional.
No setor agropecuário, o acordo amplia de 20.000 para 100.000 toneladas a cota preferencial de carne bovina argentina. Especialistas citados na cobertura do tema alertaram que a medida pode pressionar preços internos em um cenário de inflação alta.
Como contrapartida, a Argentina se compromete a eliminar tarifas em 221 posições ligadas a máquinas, transporte, dispositivos médicos e produtos químicos, além de reduzir a 2% tarifas de outras 20 posições, sobretudo autopeças. O texto divulgado também menciona cotas de importação em veículos, carnes e produtos agrícolas, com compromisso final de eliminar todos as cotas para produtos norte-americanos.
O acordo inclui capítulos sobre propriedade intelectual, com adoção de padrões norte-americanos, e sobre comércio digital e transferência de dados. Entre as exigências, a Argentina deverá reconhecer os Estados Unidos como “jurisdição adequada” para transferência de dados pessoais e evitar discriminação a serviços digitais norte-americanos.





