Uma escola estadual de Caçapava, no interior de São Paulo, registrou erros de português em conteúdos apresentados a estudantes durante atividades ligadas ao sistema de militarização das escolas. As falhas ocorreram na segunda-feira (2), em atividade de monitoria relacionada ao ensino de comandos associados à hierarquia militar e à chamada “ordem unida”.
Durante a explicação, palavras foram escritas de forma incorreta no quadro, como “descançar” e “continêcia”. As imagens foram registradas durante a atividade em sala.
Procurada, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo declarou que o conteúdo pedagógico seria elaborado e aplicado pelos docentes, e que, no início da implementação, monitores estariam repassando orientações sobre disciplina e promoção de valores cívicos. A pasta informou que monitores do programa serão submetidos a avaliações semestrais de desempenho para verificar adaptação e permanência.
O episódio motivou nota da Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual, que afirmou repudiar a implantação de escolas militares em São Paulo e classificou o modelo como “inconstitucional e autoritário”. A entidade criticou a utilização de recursos da educação e a contratação de militares aposentados, além de afirmar que a medida foi adotada sem consulta à comunidade escolar.
No Vale do Paraíba e região, 11 escolas iniciaram 2026 dentro do modelo militarizado, distribuídas em 10 municípios, com duas unidades em Bragança Paulista. O governo estadual afirmou que essas escolas representam 11% das 100 unidades selecionadas em 89 cidades paulistas, com estimativa de cerca de 50 mil estudantes no programa em todo o estado.



