Trabalhadores da Brose do Brasil, fabricante de peças automotivas em São José dos Pinhais (PR), relataram uma ação violenta da Polícia Militar na manhã desta quarta-feira (4) durante mobilização em frente à fábrica. A presença da PM ocorreu após chamado feito pela empresa para retirar o piquete montado pelos grevistas.
Segundo denúncias de trabalhadores e dirigentes sindicais, a empresa está contratando durante a greve com salário abaixo do piso da categoria e admitindo jovens aprendizes como operários na linha de produção sem treinamento adequado, expondo-os ainda mais ao risco de acidentes.
O ataque culminou na prisão do sindicalista Nelsão da Força, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana (SMC) e dirigente da Força Sindical. Um vídeo mostra que ele foi derrubado e imobilizado com um golpe conhecido como “mata-leão”, antes de ser colocado em uma viatura. Eles relataram ainda que a PM lançou gás de pimenta contra pessoas que tentavam intervir para evitar que ele fosse sufocado, citando o risco de desmaio devido à idade.
Em nota, a PM do Paraná afirmou que o dirigente foi preso para preservar a “ordem pública” e alegou que ele desacatou os agentes e se recusou a liberar a entrada na fábrica. A corporação disse que ele recebeu voz de prisão por desacato, atentado contra a liberdade de trabalho e resistência à prisão, declarando que foi necessário “uso seletivo da força” para encaminhá-lo à delegacia.
O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba publicou nota de repúdio, afirmando que trabalhadores reivindicavam melhorias de forma legítima e que foram atacados pela polícia. O texto denuncia a empresa por práticas antissindicais, diz que há pressão e assédio desde o início das mobilizações e relata dificuldades para realizar assembleias devido a intervenções policiais.
A nota afirma ainda que não há crime em lutar por direitos e cobra providências para assegurar o direito de manifestação e greve previsto na Constituição Federal.





