No dia 21 de janeiro de 2026, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital controlado pelo Banco Master, devido à inviabilidade financeira e a falhas em pagamentos. Com a liquidação, mais de 9 milhões de clientes foram afetados, com o bloqueio de operações de cartões e do Pix.
Diariamente, a imprensa capitalista noticia desdobramentos no caso daquela que vem sendo apontada como a maior fraude financeira do País: um esquema bilionário que alcança a cifra de R$ 60 bilhões.
O fato mais recente foi o pedido de recuperação judicial, no Tribunal de Justiça de São Paulo, da Fictor Holding Financeira, que, em sua justificativa, atribui a medida a uma crise de liquidez, originada na tentativa de compra do Banco Master.
A maior fraude financeira dos últimos tempos abrange diversos setores: políticos, juristas, Banco Central e instituições financeiras. Não há dúvidas de que se trata de uma disputa interna entre setores da própria burguesia.
O que a imprensa venal não dá importância, porém, é que, com a liquidação do Will Bank, mais de 750 funcionários serão diretamente atingidos com a perda de seus empregos. E, mais uma vez, a história se repete: diante das crises, os primeiros a receber o golpe são os trabalhadores.
Conforme divulgado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, funcionários do Will Bank em liquidação têm enviado ao sindicato diversas reclamações a respeito de direitos usurpados pelos patrões, como atraso no pagamento de salários e de outras verbas, a exemplo de vales-alimentação e vale-refeição, pressão para pedir demissão e jornada irregular de oito horas, quando é direito dos bancários a carga horária de seis horas diárias, entre outros problemas.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo marcou, para esta quinta-feira (5), uma plenária com empregados demitidos e na ativa. Segundo a direção do sindicato, a reunião visa “oferecer apoio e acolhimento aos trabalhadores, além de identificar os principais problemas diante dos desdobramentos da liquidação da instituição financeira”. A entidade acrescenta: “o objetivo é assegurar que o processo de encerramento não resulte em penalidades aos bancários e que todas as verbas rescisórias e direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho sejam respeitados” (Comunicado do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 03/02/2026).
Ou seja, as direções sindicais querem que os trabalhadores fiquem em casa e aceitem calados as imposições dos banqueiros, que usam a crise como justificativa para atacar os trabalhadores e suas famílias. Em vez de “oferecer apoio e acolhimento”, o sindicato deveria organizar a mobilização dos bancários, com passeatas e panfletagens denunciando os absurdos dos patrões, além de ocupações e outras iniciativas, e lutar pelos empregos dos trabalhadores. É preciso ter claro que, se o banco está em liquidação devido às fraudes, a culpa não é dos trabalhadores, mas dos banqueiros e de seus asseclas, que não estão minimamente preocupados com as condições de vida de centenas de famílias, e sim em preservar seus privilégios.





