Caso Cão Orelha

O que defensores dos ‘direitos animais’ têm em comum com Hitler?

Em 1933, o nazismo aprovou normas rígidas de “proteção animal”, com restrições à vivissecção e punições por maus-tratos

O caso do cão Orelha, em Florianópolis, virou uma vitrine do que há de mais reacionário no ambiente político brasileiro. Em poucos dias, formou-se uma histeria nacional: celebridades exigindo “punição exemplar”, autoridades fazendo teatro em coletiva, imprensa estimulando linchamento público, e políticos farejando votos com promessa de “lei mais dura”. O pretexto foi a revolta moral diante de um ato bárbaro contra um animal. O resultado prático, como sempre, é o mesmo: reforço do Estado policial, mais cadeia, mais perseguição — inclusive contra adolescentes.

Esse movimento não é novo. Ele se alimenta de um tipo de moralismo que desloca a compaixão para longe dos seres humanos, e a reconduz para o terreno “seguro” das campanhas punitivas.

Na Alemanha nazista, o cachorro foi tratado como um emblema prático de valores exaltados pelo regime: obediência, hierarquia, vigilância, submissão. O pastor-alemão, em especial, foi elevado à condição de “raça” ideal, apresentada como forte, dócil ao comando e pronta para servir. O recado era claro: o animal “correto” seria aquele que se dobra à ordem e executa sem questionar. O regime fazia disso uma imagem do “cidadão” que queria fabricar.

Hitler também explorou politicamente a própria pose de “amante de cães”, em especial com sua cadela Blondi. O efeito era propaganda pura: fabricar um retrato sentimental do chefe, “simples” e “próximo da natureza”, ao mesmo tempo em que o Estado perseguia e exterminava pessoas. Não se trata de um detalhe folclórico. Isso foi parte de uma operação para dar verniz “moral” a um regime construído sobre terror.

A obsessão nazista por linhagens e seleção também foi aplicada à criação e treinamento de cães, com cruzamentos controlados e eliminação do que era visto como “desvio”. Houve até projetos delirantes, embrulhados em discurso “científico”, para apresentar animais como prova de superioridade cultural.

Em 1933, o nazismo aprovou normas rígidas de “proteção animal”, com restrições à vivissecção e punições por maus-tratos. O regime gostava de exibir isso como prova de “civilização”. Ao mesmo tempo, promovia perseguição sistemática, campos de concentração e extermínio. A contradição não incomodava o nazismo porque o objetivo era exatamente esse: criar um critério moral que não passa pela humanidade, mas pela “pureza”, pela utilidade e pela submissão à ordem. Um cachorro bem adestrado valia mais do que um ser humano considerado inimigo do regime.

O paralelo com o Brasil aparece quando o “amor aos animais” vira combustível para exigir polícia e prisão como resposta automática a qualquer problema social. A campanha do Orelha opera como máquina de pressão para ampliar repressão, naturalizar penas, justificar perseguições e promover linchamentos públicos. Quem puxa essa corda costuma ser o mesmo campo político que aplaude chacina policial, defende “tolerância zero” e fecha os olhos para a matança cotidiana nas periferias.

A esquerda que entra nessa onda sem denúncia do caráter repressivo da campanha presta um serviço ao inimigo. No fim, o que cresce não é “humanidade”. O que cresce é a autoridade do Estado para punir, vigiar, prender e destruir vidas.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.