Economia

Juros a 15% engordam parasitas multinacionais

Nesta terça-feria (3), o diretor do Goldman Sachs, Alberto Ramos, afirma que “o investidor estrangeiro considera que faz pouca diferença manter ou mudar o governo no Brasil”

Nesta terça-feria (3), o diretor de macroeconomia para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, afirmou que com os juros a 15%: “o investidor estrangeiro considera que faz pouca diferença manter ou mudar o governo no Brasil”. A declaração ocorreu em entrevista exclusiva a Aline Bronzati, correspondente Estadão/Broadcast, do escritório do Goldman Sachs, em Manhattan, nos EUA.

Alberto Ramos e a Goldman Sachs

A Goldman Sachs é o maior banco de investimento do mundo, sendo uma multinacional americana que atua em consultoria financeira, fusões e aquisições, gestão de ativos, mercados financeiros e corretagem.

Ramos, porta-voz do banco, é o economista com Ph.D. pela Logo da empresa University of Chicago, como o cargo sugere, sendo o responsável pelas avaliações dos macroeconômicas de mercados emergentes, com foco na América Latina.

Não ha uma fuga dos EUA para ascensão dos emergentes

Segundo Ramos: “Não há um movimento de ‘sell America’. O que existe é diversificação. Os investidores não estão vendendo Estados Unidos para comprar Brasil ou outros mercados emergentes; esse fluxo é muito pequeno. Eles já estavam sobre-expostos aos EUA devido ao excepcionalismo americano e, hoje, não querem ter todos os ovos na mesma cesta.”

Atraídos pela “melhora” do Real e pelos juros alto, diz que estão “construtivos em relação ao câmbio, impulsionados por dois fatores. No fronte doméstico, o carrego, com juro de 15% ao ano, segue muito atrativo. No externo, o dólar perde força e há entradas de capital na economia, o que também favorece o real. No último ano, a performance da moeda brasileira foi boa em termos absolutos, mas, no relativo, até a moeda da Colômbia — onde há forte preocupação fiscal e com o governo — se saiu bem. No conjunto dos mercados emergentes, o real acompanhou o movimento de várias outras divisas.”

Milei é o exemplo

Em sua entrevista o diretor deixar claro qual o desejo os banqueiros: “O governo Milei é um exemplo de determinação: mostra ser possível fazer um ajuste fiscal sério.” Acrescentando como, no seu ponto de vista, se deu o exito no exemplo: “A estratégia funcionou na Argentina porque o peronismo, como modelo populista, faliu do ponto de vista econômico, político e social. A economia não crescia, as condições sociais se deterioraram, a política ficou muito disfuncional, e a Argentina empobreceu em 15 anos.”

Todavia o mesmo não tem a mesma expectativa para o Brasil de imediato: “Acho que o Brasil não está nesse ponto ainda. Talvez seja só nessa situação que o País abrace o ajuste fiscal, como ocorreu com as reformas após o segundo governo da presidente Dilma Rousseff.”

O que importa para os bancos são as taxas de juros

A entrevista de Ramos é reveladora, expondo abertamente que enquanto continuarem as condições de super exploração econômica, pouco importa a orientação do governo. Em resumo, não adianta a esquerda eleger o presidente se os juros e restante da orientação econômica perduram.

Ramos expõe que para os grandes capitalistas financeiros, seja Lula, Tarcísio, Bolsonaro, o importante é se a taxa de juros continuará alta. Para ele, o estresse no mercado financeiro levará o próximo governo, seja de esquerda ou de direita, a reorganizar as contas públicas.

“O investidor estrangeiro considera que faz pouca diferença manter ou mudar o governo no Brasil. Com juros a 15% ao ano, a eleição pode ser binária e trazer um resultado mais favorável ao mercado; ter exposição mais cedo ajuda, mas, por ora, ele não acompanha de perto a dinâmica eleitoral. A taxa ainda é muito atrativa e o País está apenas no início do ciclo de cortes. No curto prazo, manter pequena exposição ao Brasil em um portfólio global faz sentido. Se o cenário piorar, inclusive por causa da disputa nas urnas, o investidor repensará a posição.” expõe Ramos.

Galípolo, mais do mesmo ou pior

A entrevista deixa claro que Gabriel Galípolo no Banco Central (BC) realiza o mesmo papel que seu antecessor, Roberto Campos Neto, indicação de Jair Bolsonaro. O que revela que o BC não é independente, representa uma prática parasitária que até sofreu um aprofundamento.

Ambas gestões terminam por alimentar o capital financeiro internacional às custas da população brasileira.

A função dos juros altos

O caso termina expondo qual a função real da altíssima taxa de juros, longe de manter a estabilidade econômica, esse patamar extremamente elevado serve para agradar o capital financeiro e maximizando o lucro dos banqueiros.

Essa taxa Selic elevada permite aos banqueiros se apropriarem diretamente de aproximadamente metade do orçamento público federal a título de pagamento de juros e amortização da dívida pública. Sendo o principal mecanismo de domínio dos bancos sobre o Estado, além de uma transferência direta de renda do bolso do trabalhador para os cofres de meia dúzia de parasitas.

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