Brasil

Um ano da lei nazista contra o direito da juventude à informação

Com a desculpa de "proteger as crianças" burguesia trabalha para esconder dos jovens os crimes do imperialismo denunciados na internet

Celular

No dia 13 de janeiro, vários meios de comunicação da burguesia tiraram matérias comemorando um ano sem celular nas escolas, destacando a medida repressiva contra a juventude como positiva. A Lei nº 15.100/2025, restringe o uso do aparelho durante aulas, recreios e intervalos. 

Apesar dessa imprensa direitista trazer declarações e opiniões de supostos especialistas de que a proibição do uso de celulares trouxe mais “atenção e interatividade” entre os jovens e adolescentes, a realidade é bem outra. A restrição do acesso dos alunos à internet durante o período de aula e outras medidas tomadas pelo governo, como a validação dos pais para que os menores possam navegar pelas redes, tem causado uma verdadeira rebelião.

Nessa mesma toada, em 6 de agosto, o youtuber Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido como “Felca”, publicou o vídeo “Adultização”. Em poucos dias, a imprensa golpista, parlamentares e o governo Lula passaram a defender projetos para “proteger crianças” na Internet. As crianças, no entanto, são as maiores vítimas desses projetos.

Em regime de urgência, a Câmara aprovou o texto-base e, em cerca de 15 dias entre a publicação do vídeo e as votações na Câmara e no Senado, a chamada “Lei Felca” foi empurrada goela abaixo de toda a sociedade brasileira, atropelando qualquer discussão séria sobre direitos democráticos e a privacidade da juventude. Em pagamento pelos serviços prestados para a burguesia, Felca ganhou um quadro especial no programa Fantástico da Rede Globo.

Ou seja, não sendo suficiente a proibição da juventude ao acesso à internet durante o período de aulas, a Lei Felca ampliou ainda mais a restrição para além dos muros das escolas. Para quem tinha alguma dúvida sobre o caráter desse tipo de medida, a coisa se esclareceu rapidamente. O objetivo é claro – levando em consideração que a juventude é o setor mais dinâmico da sociedade – impedir o debate político e tentar esconder desse setor da população os crimes do imperialismo, como, por exemplo, o genocídio na Faixa de Gaza.

Nos momentos de crise política os jovens tendem a entrar em movimento. De acordo com pesquisa recente, a esmagadora maioria dos jovens com menos de 24 anos nos Estados Unidos apoiam a resistência armada palestina, em contraste com as camadas mais velhas da população norte-americana. 

A mesma imprensa que defende o controle parental para acesso à internet e a proibição dos aparelhos nas escolas, também alega que 63% dos casos de violência contra as crianças ocorrem dentro do ambiente familiar. No entanto, há no mínimo uma contradição nesse fato ou mesmo hipocrisia. Menos de 90 mil casos de violência contra crianças são registrados por ano. Já as leis e medidas nazistas adotadas pela burguesia afetam dezenas de milhões de jovens.

Sobre as aulas e as escolas, essa mesma imprensa não fala absolutamente nada em relação ao sucateamento intenso da educação no País. Escolas caindo aos pedaços, professores mal remunerados e sobrecarregados. Sem contar as plataformas e currículo de ensino que além de atrasados não somam em nada para uma juventude sem perspectiva de futuro diante de um capitalismo criminoso.

Sendo assim, na primeira quinzena de janeiro de 2026 – coincidência ou não – jovens e crianças começaram a protestar dentro de uma plataforma de jogo online Roblox contra as restrições – nos bate-papos do próprio jogo – e a Lei Felca. Na questão política praticamente todos os jovens questionados sobre o tema associam as medidas repressivas à esquerda levando em consideração o atual governo Lula no poder.  

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